terça-feira, 17 de maio de 2016

Assim se escreve a História


Por José Manuel Barbosa


O paradigma oficial recolhe a etimologia do Rio Gállego como proveniente de Flumem Gallicum, quer dizer, literalmente “Rio Gaulês”, quer dizer, proveniente da Gália. Isto é porque nasce nos Pirenéus, na mesma raia entre Aragão e a Gascunha, embora na vertente espanhola do monte “Portalet dera Nieu” em original aragonês, ou “Col d'Aneu”.
Há outra teoria que defende a origem do seu nome em que era fronteira de territórios entre as línguas célticas com línguas ibéricas hispânicas.


Se repararmos no assunto, veremos que em aragonês originário, o nome do rio é “Galligo”, já não palavra esdrúxula, mas grave, reafirmada na documentação medieval onde aparece documentado como “Galleco”. A nós ocorre-se-nos que mesmo poderia ser fronteira entre a Yilliqiya e a Espanha muçulmana, sobre tudo tendo em conta o que nos comenta Ahmad Ibn Muhammad Al-Razi na sua Ajbār mulūk Al-Andalus mais conhecida com o nome de "Crónica do Mouro Rasis". Fala-nos no seu parágrafo 18 sobre o facto de o "Rio Caliton" -nome com que os andaluzis conheciam o rio do que estamos a falar-, de regar muitas hortas em Galiza. Daí o nome de "Gállego/Galligo/Galleco". 
A algum tradutor do árabe, como Pascual de Gayangos soa-lhe impossível que o Al-Razi relacione o rio com Galiza, por isso censura a palavra "Galicia" nos seus comentários a pé de página que fez a respeito do trabalho realizado para o seu ingresso na Academia da História em 1850 intitulado "Memoria sobre la autenticidad de la crónica denominada del moro Rasis". O trabalho fez-se a partir da tradução castelhana que Ambrósio de Morales no século XV fez partindo do português. Esta obra em português à sua vez, foi uma tradução de Gil Peres feita por ordem de Dom Dinis de Portugal e que traduziu do árabe no século XIV.
O texto de Ambrosio de Morales que Gayangos apresenta e ao que nos estamos a referir está assim:


18. (…) Et há y un rio com que riegan muchas huertas en Galicia que há nombre Galiton (2), et es de Tierra de Zaragoza. 

E nas notas ao pé de página na obra de Gayangos diz-se-nos:

 (2). Em Mor. “Et há y un rio com que riegan muchas huertas en Galicia que há nombre Galiton, et es de Tierra de Zaragoza”. Lo cual no forma sentido. Galiton parece ser el Gállego, rio que desemboca en el Ebro, no lejos de Zaragoza. Esta cláusula, pues, debiera leerse de este modo: “ Et há y un rio com que riegan muchas huertas que há nombre Galiton, et es de Tierra de Zaragoza”

A supressão da palavra ”Galicia” no comentário a pé de página é uma prova de como é que se escreve a História em geral e da Galiza em particular. O texto, podemos dizer que está censurado ou se somos mais moderados, intervindo, numa tradução já por si próprio manipulada desde o seu original.

Supomos que a razão pela qual o autor omite e censura o topónimo “Galicia” é para que um leitor do século XIX compreenda que um rio que nasce e morre no Sistema Ibérico não pode ser um rio galego ou talvez, melhor exprimido, da Galiza, porque “Gállego” já é por direito onomástico. O escândalo seria grande denominar de "gállego", "gallego" ou algo similar a um rio afastado mais de 700 km da pequena Galiza. Não seria assim o mesmo se qualquer elemento castelhano se reconhecesse a milhares de quilómetros de Castela... Mesmo com isto quero lembrar a definição que Laín Entralgo no seu "A que llamamos España" faz da Andaluzia como "Castilla la Novisima"... Aqui não há exagero.
A falta de cuidado dos historiadores, dos "espertos" e implicados em reconstruir o passado faz com que a reconstrução da realidade passada se faça mais difícil por causa da "inocência" de ilustrados tão dignos, do seu compreensível desconhecimento dum passado que teoricamente querem desvendar mas em alguns casos, como o de Ximenes de Rada, Lucas de Tui ou o Bispo Pelayo de Ovedo, autêntico interesse espúrio e malícia.
O conhecimento do que era a Galiza está obstaculizado por esses elementos e assim andamos a reconstrui-lo como podemos apesar da não menos maliciosa oposição dos que vem normal que o seu mundo seja universal mas anormal que o dos demais seja não menos grande.
Isso deve mudar.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Manias anti-galegas, falta de inteligência e pailanismo.



 Por José Manuel Barbosa

A Teima de alguns contra a Galiza e contra todo aquilo que reafirme a sua identidade chega a um ponto de deturpação importante da realidade, auto-repressão da inteligência e de escorço psicológico traduzido em mania irracional.

Isso é o que deduzo das manifestações deste senhor:

Ele fala de...
1- Non mesturar política e deporte....?

- Quem conheça o livro de José António Jauregui "Las Reglas del Juego" que eu li com muito poucos anos (talvez 18 ou 19) poderá ver que o desporto não é nem mais nem menos que uma forma "civilizada" de transcender a política e a territorialidade própria do animal carnívoro por adopção que somos desde os primeiros antepassados pré-históricos. Talvez o individuo este do Pepé queira negar-nos a nossa genética? Talvez queira reprimir a nossa necessidade de reivindicar a nossa condição humana? Talvez o homem não lê ou tem carências culturais importantes?


2- Desexar unha selección galega suprimindo a española... ?

- Qual é o problema? É pecado? É delito? Não se passaria nada... Há nações sem Estado que a têm (Escócia, Gales, Faeroe...) e isso não implicaria necessariamente deixar de ser espanhóis.
Não é esta manifestação a dum nacionalista convencido que manifesta o seu desejo de mijar nas pedras e marcar território?


3- Galiza está mal e é pecaminoso... Há que dizer "Galicia".

- Não foi o Pepé quem defende a atual norma RAG onde se diz que a forma Galiza é legítima? Qual o problema da opção? É um filho de Torquemada?

4- "Non cómpre ser tacaño nin ocultar as ideas"

- Da mesma forma que as oculta ele dizendo-se democrata e negando a opção da seleção galega? "Galiza" é anátema? Demonizando a opção de querer suprimir a seleção espanhola pela galega? Esse partido diz-se liberal-conservador? Nem é liberal (laissez faire, laissez passer) nem é conservador... porque não quer conservar a identidade da Galiza...

5- Exaltación nacionalista---?

- Exaltação nacionalista como a da "roja"? Que nem original é o nome esse de a "roja", pois já o Chile denominava assim à sua seleção nos anos 70

6- Todas as crónicas" xornalísticas, se convertera o último partido da Irmandiña, tamén en Riazor en 2008.

- Bom, eles ocupam os informativos de todas as TVs sobre as que têm poder em exaltar os seu valores de pureza e honestidade.

7- O objetivo "non de mellorar do deporte senón político"

- Alguém acredita que uma seleção nacional não melhora a qualidade duma equipa? Jogar com seleções de outros países talvez rebaixe a categoria duma equipa? Que aconteceria se qualquer seleção das grandes deixasse as competições internacionais? Seria melhor e mais competitiva?

8- aludiu a sentenzas do Tribunal Constitucional que limitan a oficialidade dos combinados deportivos non estatais e asegurou que "o límite" para exercer o dereito á competición "é o autonómico. Se se excede está o Estado", dixo, tras engadir que "a unidade é a mellor vantaxe competitiva que España pode representar".

- Qual é o medo? Porque aqui está-se a manifestar um medo.... que não é mesmo desportivo... Isto não é priorizar o político sobre o desportivo?

9- Tendo em conta que mesmo há pessoas dentro do Pepé que não sentem como negativo o facto de jogar a seleção galega, acho que este senhor manifesta complexos e medos que nada achegam a uma pessoa teoricamente comprometida com a administração pública.


10- Artigo relacionado: AQUI

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