sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Os quatro regionalismos



 
Por Ricardo Carvalhal.

Jornal “A Nossa Terra” 10 de Maio de 1917


Ricardo Carvalhal foi um dos mais ativos redatores do semanário A Nossa Terra desde a sua fundação em 1916 e até 1918. Começou escrevendo peças de opinião e a partir do número sete publicou também os seus "Contos do Pobo". Textos que pela sua qualidade literária e imaginação bem merecem atenção e resgate do esquecimento histórico.
"De min pra vós" foi o título da seção onde apareceram os contos de Carvalhal desde o ano 1917.
Para além deste volume póstumo, o autor publicou um único livro em 1919 titulado "O secreto acobillado", editado na Crunha pelo jornal "El Noroeste" no suplemento "Terra a Nosa!"
A dia de hoje decidimos publicar este texto do autor que nos ocupa tirado da ediçao do Jornal A Nossa Terra de 10 de Maio de 1917. As suas palavras são fortes em alguns momentos, de tal forma que a dia de hoje alguns parágrafos seriam politicamente incorretos de muitos pontos de vista mas decidimos publicar porque vimos uma ideia básica que ainda hoje está na atualidade como é a de dividir os galegos em quatro classes de pessoas segundo a sua visão e atitude a respeito da Galiza: os parvistas, os centralistas, os libertistas e os nacionalistas são os tipos que ainda hoje podemos distinguir no nosso País. Talvez esses quatro grupos evoluíram e acabaram refinando-se de tal forma que hoje parecem mais "normais" mas independentemente da sua denominação e atitude social e política continuam a existir. Rogamos obviem os conceitos patriarcais e machistas que ele manifesta e mais algum outro a ver com termos como "raça" e cousas parecidas por outra parte bastante comuns na época que lhe tocou viver e portanto fruto da sua educação decimonónica. Esqueçam as diferença temporais (todo o mundo criticou aos seus pais ou avôs por estarem ultrapassados e fora da moda) e extraiam o fundamental da mensagem porque é de tremenda atualidade.
O texto originariamente estava escrito com uma grafia e uma morfossintaxe própria da Galiza dos começos do século XX, afastada da sua origem galego-portuguesa e próxima ao castelhano, língua oficial da Galiza na altura, cuja norma conheciam aqueles autores galegos por estarem alfabetizados nela ainda que os seus usos habituais fossem no seu português galego nativo. Nós, transliteramos o artigo àquilo que os lusófonos de hoje percebemos como a nossa ortografia e à nossa morfossintaxe, históricas e próprias. Se conservarmos o original, o artigo viraria de dificultosa leitura e compreensão para quase 300.000.000 de pessoas em todo o mundo. Deste jeito, sem deixar de ser galego nem perder o seu sabor natural e espontâneo pode chegar a todo um mundo que fala a mesma língua do que nós, galegos.



 
Desde que o regionalismo tomou cartas de natureza na Nossa Terra, surgiram quatro jeitos de regionalistas: parvistas, centralistas, libertistas e nacionalistas. Se não os conheceis, vamos vo-los apresentar:



Parvistas:

São a força maior, mas a sua força é passiva, dormida, morta, inútil para o bem e para ao mal. Força que constitui a nossa juventude falta de fé e de crença, pela que se passa a vida, insensivelmente, como se passa pelas penas baixas da costa a rompente do mar.

Se lerem, não o fazem por apreenderem, pois estão faltos de senso comum para isso; lêem os filósofos para depois nomeando-os na conversa ou nos escritos, adquirirem uma miúda camada de verniz de falsa cultura.

São os eternos escravos do “diz bem”. Se algum dos pro-homens a quem olham de joelhos -não porque defenda o ideal X ou Y mas por ser um chefe ou um caudilho- o viram comendo canhotos -que alguns comem às ocultas- pela rua, tende por certo que os labregos achariam uma funda riqueza na venda do que agora queimam por não servir para outra cousa. Têm o mundo por um gigantesco cenário onde há que brilhar e ter luz, ainda que este seja como a dos fogos-fátuos que sendo luz não alumia e sendo fogo não aquece.

Para eles pertencerem a um grupo de idealistas, precisam ver na longínqua um cargo de brilho ou um emprego de estronício. Os ideais em que não há próximos frutos onde o labor é anónimo e faz falta fé e constância sem ter em prémio nem uma só e triste gabança, não serve para eles. São por ser, não são porque o são.


Centralistas:

Os verdadeiros regionalistas de folclore. Não são ativos nem passivos: não são nada. Gabam em castelhano a formosura do nosso idioma e a doçura dos nossos cantos porque o ouviram dizer, não porque o sintam nem o compreendam. Nasceram aqui, como puderam nascer no Egito, na China ou no Congo, pois esta classe de homens sem vontade, são fenómenos com os que a sabia natureza quebra o conjunto viril duma raça.

Para eles não há outro ideal do que as cousas feitas. Acharam feito o centralismo e centralistas são. Se nasceram escravos, seguiriam-no sendo, não como a mansedume do boi que guiado por cativo rapaz é que o segue aonde aquele o levar, sem se lembrar que com ......  (incompreensível no texto original) dondamente  chega-lhe, não com a força que tem, mas só com o peso do seu corpo para desfazer-se dele com um singelo tirão da corda.

São os pobres de espírito que vivem da esmola que lhes dão. A palavra rebeldia não a têm no seu dicionário. Onde os põem... ficam.

Eles vão chegar às filas do nacionalismo quando o nacionalismo esteja feito. São homens a dispor de menos serviços do que os calendários da parede, pois enquanto estes têm uma folha para cada dia, eles só dispõem em troca de uma folha para todo o ano: a das múmias. 


 
 Libertistas:

Pássaros de conta. Escravos ao fim, acostumados à tralha do dono e que tendo pujos para se redimirem e serem livres, querem dar um pulo até ficarem em libertos, para não achar de menos a influência do dono.

Pregoam um regionalismo com certas traças nacionalistas. Regionalismo que há que conseguir -segundo eles- sem estridências de linguagem, com nojenta humildade, com panos quentes. Aconselham temperança por rebeldia, agarimos por ódios e silencio por berros, como se de este jeito chegássemos a conseguir o mais pequeno adianto para a Nossa Terra, ou como se isso não fosse o que se veio fazendo até agora.

A Nossa Língua para eles é letra morta. Querem a Galiza em castelhano e ao cantarem-lhe os seus quereres, só fazem dedicar-lhe em cada agarimo uma poutada e em cada gabança uma ultraje.

Fitam a Galiza pelo cristal de Castela e acham-na formosa sem lhe verem a pobreza e valente sem lhe verem humildade. Lembram-se de Castela para esquecer-se da Lusitânia. São tão maus e desleixados filhos que odeiam à irmã de raça para dedicar-lhe os amores à madrasta. São suas aspirações: ajoelhando-se e arrastando-se, conseguir um anaco (Anaco2) de liberdade para chegarem a libertos.




Somo-lo nós. Os bons e generosos que empregamos o nosso idioma numa prosa baril e ergueita que os que não a perceberam não souberam fazer. Temos poetas e também não choram: berram! Cabanilhas, Rodrigues Gonçales, Taibo, Lopez Abente e mais alguns que estão connosco, falam da terra assovalhada para pedirem justiça e das injúrias para pedir vingança. São poetas nacionalistas dos que não choram nem se laiam como fêmeas. Seguem a escola de Curros e Pondal, os visionistas, os que mantiveram aceso através duma época de poetas chorões e de homens castrados, o agarimo à pátria.

Temos fé na luta e esperança no porvir da Nação galega. Somos os rebeldes, os que ignoramos a humildade, os que empregamos estridências de linguagem, os que predicamos ódios para recolhermos tempestades e que elas caiam sobre os culpados do nosso assovalhamento. Somos os guardadores da tradição da nossa raça, o pequeno feixe de enxebres (significados 7, 13 e 14) que hão de dar exemplo às consciências dormidas dos nossos irmãos. Os que achamos que o sacrificar-nos pela pátria é um dever e lutar pela liberdade é um direito. Ou galegos ou nada!!




domingo, 24 de agosto de 2014

Prefácio do Novo Dicionário Estraviz digital




Por Isaac Alonso Estraviz:

Dicionário Estraviz digital: Aqui
Prefácio: Aqui


Há na história da lexicografia portuguesa uma grave lacuna, esquecer, propositada ou inconscientemente, uma realidade: que a língua e o léxico de que consta, nasceu no território conhecido historicamente como Gallaecia –GALIZA-, que abrangia, não as quatro províncias da atual Galiza unida politicamente a Espanha, mas o território que ia de Cantábria passando polas Astúrias, Leão e Samora, até ao Douro, ou ainda usque ad Mondecum, como dizia sempre o saudoso Rodrigues Lapa.

Essa Gallaecia deu origem em romance à Galiza, não só à que pertence hoje à Espanha, mas também a Portugal. Dizer que a língua nasceu na Galiza (estou a referir-me ao território espanhol) é totalmente falso. O mesmo de falso se dizemos que nasceu em Portugal. Nasceu num território comum que hoje pertence politicamente parte a Espanha e parte a Portugal, gostemos ou não da História. Disse politicamente porque culturalmente continuamos a sermos os mesmos. E Galiza, como reconheceram muitos intelectuais portugueses, que ultrapassaram o Minho, é física, cultural e linguisticamente uma continuação de Portugal ou vice-versa.
"Galiza é uma prolongação de Portugal ou Portugal é uma prolongação da Ggaliza, o mesmo me faz" Outeiro Pedraio.
De 18 a 23 de julho de 2005 celebrou-se na Universidade de Santiago de Compostela o VIII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Congresso no qual houve muitos intervenientes galegos que desvendaram muitas questões do galego e da cultura da Galiza. De então a hoje a Diretiva da AIL está constituída por galegos. Os intelectuais amigos não podem ignorar isto se não querem cair no ridículo. Nele apresentei eu também um trabalho intitulado Do Návia ao Mondego Semente da Língua Portuguesa (Estraviz, 723-732). Nele começo por justificar o título e digo:
Cartaz do Congresso da AIL (Associação Internacional de Lusitanistas) do ano 2014. O Autor está a se referir ao Congresso de 2005

O título podia ser: Do Mondego (Paróquia de Sada, Corunha) ao Mondego (Coimbra), Semente da Língua Portuguesa. Do Eu ao Mondego, Semente da Língua Portuguesa. Ou Do Návia (nas Astúrias) ao Mondego, Semente da Língua Portuguesa, para estabelecer os limites de um rio a outro, considerando-o mais de acordo com a realidade histórica e corrigir em parte as palavras de João de Barros na sua Gramática da Língua Portuguesa que fala no Minho e o Douro.  

"Nã sómēte ôs que achamos per escrituras antigas, mas muitos q[ue] se usam antre Douro e Minho, conservador da semente portuguesa: os quáes alguns indoutos desprezam, por nam saberem a raiz donde náçē" (Buescu, 168).

 
Sempre houve pola parte portuguesa um afã por ignorar as origens territoriais completas da sua língua. Não nego que tanto da parte de Além como de Aquém Minho, se reconhece um momento na História de uma literatura comum a ambas as partes, a dos Cancioneiros Galaico-Portugueses das cantigas medievais. Mas a partir de uma determinada altura, fora de importantes e contadas exceções, existe um grande cuidado em prescindir da Galiza e dos Galegos. Ainda hoje, depois de toda uma série de estudos, ao estarmos em grupo onde galegos e portugueses reconhecem a unidade linguística, aparece sempre alguém que fala na língua portuguesa e na língua galega como duas realidades diferentes.

O problema parece surgir porque a Galiza do Sul se converteu em reino independente e a do Norte passou a formar parte do que seria com o tempo o Estado de Espanha. De aí que os dirigentes portugueses confundissem independência linguística com independência política, o qual dá origem a um crasso erro. Portugal politicamente nunca foi território galego e Galiza cultural e linguisticamente nunca foi território espanhol. Portugal não perde nada reconhecendo a realidade galega como reconhece a brasileira junto com os países aos que levou a língua e a cultura e que hoje formam a comunidade internacional da Lusofonia. E Espanha ganha reconhecendo no seu conjunto um território político onde se fala outra língua de igual categoria e parecidas perspetivas internacionais. Galiza pode viver dentro de um Estado de língua diferente, com cultura e língua comum a outro Estado sempre que não se imponha nada contra a vontade. Há países onde convivem harmoniosamente territórios de línguas diferentes e Espanha e Portugal contam com outros estados independentes que falam as suas línguas.

Como nasce o nome da língua?
Em textos redigidos em território da atual Galiza temos diferentes vocábulos ao referir-se a aquele falar que se vai diferenciando do latim. Assim

 "Na Historia Compostellana, texto latino do século XII, aparece a expresión gallaeco vocabulo; e nunha relación de libros da biblioteca do arcebispo compostelán Bernaldo II dáse notícia, arredor de 1226, dun libro vello de sermóns de littera galleca, que con seguridade quererá indicar que estaba escrito en galego e non en latín" [...] Porén, a denominación predominante era, en contraposición a latín, a de romanço (aparece a fins do século XIV na Crónica Troiana e tamén nos Miragres de Santiago, por exemplo), xuntamente coa de lenguagem, linguagem ou a nossa linguagem, estas máis frecuentes en textos escritos en territorio portugués".(Monteagudo, 1994: 171; Freixeiro Mato, 26)

O mais frequente é romanço, linguagem ou a nossa linguagem, sem especificar território algum. Mas nos Miragres de Santiago aparece já especificado:

"Osana fili[o] Dauidi", que quer dizer en lingoajen galego: "señor faysnos salvos!" (Pensado, 27). 

E na Crónica de 1344 aparece especificada a linguagem com outro adjetivo: 

"... el rei dom Vermudo era mal doente de hũa door dos pees a que os físicos dizem pedraga, segundo a lĩguagem de Portugal" (Cintra III, 180). 

Como se pode ver, dão-lhe o nome do território onde está o escriba ainda que empreguem o mesmo léxico.
Resulta por isso muito interessante pesquisar o que pensam os gramáticos portugueses a respeito do território onde nasceu a sua língua. Nas primeiras gramáticas não se fala para nada da Galiza, quer como parte integrante na Espanha, quer como realidade política e linguística dos tempos antigos.
Fernão de Oliveira, é o primeiro gramático português. Ele só menciona a Galiza no capítulo 41 quando nos diz que de Galiza deriva o gentilício galego. De resto quando tem que falar das particularidades linguísticas históricas sempre fala do Minho para o Douro. Ignora totalmente o que acontece do Minho para cima, do Minho até as Astúrias. Vejamos o que nos diz:


"Mas porque dixemos que os nomes de nações faziam no plural em ãos, alemão não faz assi, mas faz alemães, e bretão, bretões, e assi haverá outros muitos. A parte desta regra que mais comprende é dos nomes que mudam todo o ditongo, como lição, lições; podão, podões; melão, melões. Estes nomes, posto que parecem mudar mais que nenhuns dessoutros que já dissemos, todavia, se olháremos ao singular antigo que já teveram, não mudam tanto como agora nos parece, porque estes nomes todos, os que se acabam em ão ditongo, acabavam-se em om, como liçom, podom, melom, e acrecentando e e s formavam o plural lições, podões, e melões, como ainda agora fazem. E outro tanto podemos afirmar dos que fazem o plural em ães, como pães, cães, dos quaes antigamente era o seu singular pã, cã, cujo testemunho aindagora dá Antre-Dourominho (Torres, 147)

Resulta igualmente interessante o que nos diz no capítulo 47 ao falar dos verbos onde já não fala do Douro e o Minho, mas da Beira. Eis o que nos diz:

"Nos generos dos verbos não temos mais que ha só voz acabada em o pequeno, como ensino, amo e ando, a qual serve, como digo, em todos os verbos, tirando alghuns poucos como são estes: sei, de saber, e vou e dou e estou e mais o verbo sustantivo, o qual huns pronunçiam em om, como som e outros em ou, como sou, e outros em ão, como são; e também outros, que eu mais favoreço, em o pequeno, como so. No parecer da primeira pronunciação com o e m, que diz som, é o mui nobre João de Barros; e a rezão que dá por si é esta: que de som mais perto vem a formação do seu plural, o qual diz somos. Contudo, sendo eu moço, fui criado em são Domingos dEvora, onde faziam zombaria de mim os da terra, porque o eu assi pronunciava segundo que o aprendera na Beira (Torres, 150-151).

Nestes textos Fernão de Oliveira, como veem, não faz a mínima referência a como se dão esses fenómenos na Galiza. Só se limita à parte portuguesa, do Minho para baixo. Como se sabe, essa forma som que ele aprendera de pequeno, típica da Beira natal (e não só), é ainda hoje a forma mais geral na Galiza. O seu texto naquela altura era galego-português e hoje muito mais galego do que português.

João de Barros, que se atribui a honra de ser ele o primeiro a fazer uma gramática da língua portuguesa, publica a sua obra em 1540. Segue na mesma linha de falar do idioma do Minho para sul. Mesmo me baseei nele para lhe dar título ao meu trabalho. Eis o que nos diz no Diálogo em louvor da nossa linguagem:

"A my muito me contentam os termos que se confórmam com o latim, dádo que sejam antigos: ca destes nos devemos muito prezár, quãdo nam achármos serem tam corrutos, que este labęo lhe fáça perder sua autoridáde. Nã sómēte ôs que achamos per escrituras antigas, mas muitos q[ue] se usam antre Douro e Minho, conservador da semente portuguesa: os quáes alguns indoutos desprezam, por nam saberem a raiz donde náçē (Buescu, 168)

É na Gramática onde faz referência, não sei se ao galego da Galiza ou ao galego do norte de Portugal quando diz:

"Os mais dos nomes que se deviam acabár ē, am, se escrevem a este modo. Razão, razões. E se o uso nam fosse contrairo que tem gram força açerca das cousas, nam me pareçeria mal dester[r]ármos de nós esta prolaçam e orthografia galega. Porque a meu ver quando quisęrem guardár a verdadeira orthografia destas dições, se deve dizer, razam, e no plurar, razões. Ca este, m, finál nosso tem aly o oficio do mem çerrado dos hebreos, que e hũa das leteras que elles chamam dos beiços: a quál lhos fáz fechár quando acábam nella, de maneira que se vay fazendo aquella variaçam ocandose a vóz. E este ę hũ módo de áfrautár como se frautam os instrumentos de musica. E entam os que pouco sentęm quęrem remediar o seu desfaleçimento escrevendo agalegádamente: poēdo sempre, o, finál ē todalas dições que acábam ē, am". (Buescu, 83)

Duarte Nunes de Leão é o terceiro dos gramáticos importantes. Ele distingue perfeitamente os galegos da Galiza. Eis o que nos diz em "Ortografia e Origem da Língua Portuguesa" quando intenta descrever o fenómeno da confusão entre v e b:

"O que muito mais se vê nos Galegos e em alguns Portugueses de Entre Douro e Minho, que por vós e vosso, dizem bós, e bosso, e por vida, dizem bida. E quasi todos os nomes, em que há u consoante mudam em b. E como se o fizessem às avessas, os que nós pronunciamos por b pronunciam eles por v. (Buescu, 54)

Mais adiante concreta ainda mais ao falar da terminação om que tinham os Portugueses e que ainda continua viva nas gentes de Entre Douro e Minho e nos Galegos. Eis o que nos diz:

"E a razão dos ditos vocábulos se não escreverem por am e suceder aquelle ditongo, em lugar das ditas letras, segundo tenho advertido, é a analogia e respeito que a língua portuguesa vai tendo com a castelhana, que sempre onde a castelhana diz, an ou on que é a sua particular terminação, responde a portuguesa com aquela terminação de ão que sucede em lugar da antiga terminação dos Portugueses de om que punham em lugar do an ou on dos castelhanos. A qual ainda agora guardam alguns homes de Entre Douro e Minho e os Galegos, que dizem, fizerom, amarom, capitom, cidadom, tabaliom, apelaçom (Buescu, 90.)

Na Origem da Língua Portuguesa Nunes de Leão distingue a Galiza da Lusitânia ao falar da existência das letras:

"E os Gregos que habitavam Galiza e a Lusitânia e outras regiões de Espanha teriam a língua grega e as letras gregas (Buescu, 206)

Mas onde Nunes de Leão especifica claramente o seu pensamento acerca do galego é no capítulo VI: A língua que se hoje fala em Portugal, donde teve origem, e por que se chama romance. Ouçamos as suas palavras:

"Depois deste cativeiro, vindo-se recuperar muitos lugares do poder dos Mouros, pelas relíquias dos cristãos que da destruição dos Mouros escaparam nas terras altas de Biscaia, Astúrias e Galiza. E, fazendo cabeças de alguns senhorios, ficou aquela língua gótica, que era comum a toda Espanha, fazendo alghũa divisão e mudança entre si cada hum em sua região, segundo era a gente com que tratavam, como os de Catalunha, que, por àquela parte vir el-rei Pepino de França com os seus, ficou naquela província sabor da língua francesa e, se apartou, lhes ficou notável diferença entre ela e a língua de Castela e das de Galiza e Portugal, as quais ambas eram antigamente quase hũa mesma, nas palavras e nos ditongos e pronunciação que as outras partes de Espanha não têm.
Da qual língua galega a portuguesa se avantajou tanto, quanto na cópia como na elegância dela vemos. O que se causou por em Portugal haver reis e corte que é a oficina onde os vocábulos se forjam e pulem e donde manam para os outros homens, o que nunca houve em Galiza" (Buescu, 219-220).

Erra Nunes de Leão quando diz "o que nunca houve em Galiza", pois 

"Todos os reis se titularon reis da Gallaecia desde capitais diferentes (Oviedo, Santiago ou León), se ben moitos deles desde Afonso II asentaron a súa capital en Santiago ou na parte occidental de Gallaecia, como Ramiro I, Afonso III, Ordoño II, Sancho Ordóñez, Ramiro II, Afonso V, García e Afonso VII, fortalecendo e estendendo o seu reino, e mesmo chegando no occidente até Coimbra xa con Ordoño II. Para Camilo Nogueira Ramiro II "constitúe unha referencia fundamental na construcción do reino galaico", pondo de relevo a ocultación por parte de Sánchez Albornoz de documentación histórica onde se cualifica a Ramiro II como rei dos galegos e estes a nación máis poderosa. Bermudo II, fillo de Ordoño III e neto de Ramiro II, foi educado en Santiago e coroado rei de Gallaecia na catedral compostelá, reinando até o ano 999. No reinado do seu fillo Afonso V (999-1028) a Gallaecia vaise estender cara aos territorios de Al-Andalus, ao sul da Cordilleira Central. A Afonso V vaino suceder Bermudo III (1028-1037), que é recoñecido como emperador por Sancho o Maior de Navarra; o seu cuñado Fernando, consorte de Sancha e fillo de Sancho III, fora nomeado por este, en 1035, como gobernante de Castela sobre un reducido territorio na fronteira oriental de Gallaecia, cando o reino galaico levaba séculos de existencia." (Freixeiro Mato, 2).
Manipulaçao da História da Galiza apagando o nome do País favorecendo interesses espúrios.
No mundo espanhol foram mais generosos. Eis o que nos diz o Marquês de Santilhana:

"E despues fallaron esta arte que mayor se llama e el arte comun -creo- en los Reynos de Gallizia e de Portugal, donde non es de dubdar quel exerçiçio desta sçiençia más que en ningunas otras regiones e prouinçias de la España se acostunbró en tanto grado que non ha mucho tiempo qualesquier dezidores e trobadores destas partes, agora fuessen castellanos, andaluçes, o de la Estremadura, todas sus obras componían en lengua gallega o portuguesa" (López Estrada, 59)
I Conde do Real de Manzanares e I Marquês de Santillana
Íñigo López de Mendoza
Todos os grandes vultos da Romanística defenderam a unidade linguística galaico-portuguesa. Respeito dos galegos a lista seria interminável: Pe Feijó, Pe Sarmento, Eduardo Pondal, Manuel Murguia, Antão Vilar Ponte, Vicente Risco, Afonso Rodrigues Castelão, Otero Pedraio, Vicente Biqueira, Evaristo Correa Calderão. A tradição galeguista até ao 1936 foi defensora destas ideias. Na atualidade o número de pessoas e instituições cresce diariamente. Pola parte portuguesa: Carolina Michaelis de Vasconcelos (que cunha o sintagma galego-português), Rodrigues Lapa, Lindley Cintra, Maria Helena Mira Mateus; da parte brasileira: Celso Cunha, Gladstone Chaves de Melo, Leodegário A. de Azevedo Filho, Sílvio Elia, Reynaldo Valinho; espanhóis: Menéndez Pidal, Dámaso Alonso, Manuel Alvar; outros: Coseriu.... No Congresso sobre a situação atual da Língua Portuguesa no mundo, celebrado em Lisboa em 1983, aprovou-se polo Congresso a seguinte proposta: 

"Primeiro ponto: atendendo à situação actual dos estudos linguísticos, o Congresso reafirma a tese de que o galego e o português são normas cientificamente reconhecidas de um mesmo sistema que engloba as comunidades linguísticas luso-brasileiro-africanas" (Atas, 587-588)

Ainda mais: o professor Lindley Cintra, que trabalhou no ALPI junto com Menéndez Pidal e outros, nos cursos da Universidade de Lisboa que ministrava nos verãos, punha aos seus alunos fitas gravadas por ele em diferentes localidades da Galiza e Portugal ao falar dos diferentes dialetos –galegos e portugueses- que formavam a língua comum. E na gramática elaborada por Celso Cunha e ele registam:
Mapa de Lindley Cintra e Celso Cunha
"Os dialectos do português europeu
A faixa ocidental da Península Ibérica ocupada pelo galego-português apresenta-nos um conjunto de DIALECTOS que, de acordo com certas características diferenciais de tipo fonético, podem ser classificados em três grandes grupos:
a) DIALECTOS GALEGOS;
b) DIALECTOS PORTUGUESES SETENTRIONAIS
c) DIALECTOS PORTUGUESES CENTRO-MERIDIONAIS" (Cunha-Cintra, 10-11).
Eis também o que nos diz o ilustre gramático Evanildo Bechara:
"Foi este falar comum à Galiza e ao território portucalense que o processo da Reconquista propagou em direção ao sul, sobrepondo-se aos dialetos moçárabes aí correntes. [...] Até o séc. XV, segundo Orlando Ribeiro, o Minho ainda não constituía limite lingüístico entre o galego e o português.
O português, na sua feição originária galega, surgirá entre os séculos IX-XII, mas seus primeiros documentos datados só aparecerão no século XIII; o Testamento de Afonso II e a Notícia de Torto. Curiosamente, a denominação "língua portuguesa" para substituir os antigos títulos "romance" ("romanço"), "linguagem", só passa a correr durante os escritores da Casa de Avis, com D. João I. Foi D. Dinis que oficializou o português como língua veicular dos documentos administrativos, substituindo o latim." (Bechara, 24).
Evanildo Bechara
De uns anos para esta parte a questão politizou-se polo governo galego, que defende a diversidade linguística, seguido servilmente polo governo português, dando lugar a que ilustres conterrãneos portugueses também mudaram de atitude. É esta uma atitude sem sentido. A ciência, neste caso a ciência linguística não pode estar aos vaivéns de quem estiver no poder. Toda ciência, incluída a línguística, tem que estar por cima de muralhas e fronteiras, de particularismos e sentimentalismos. Nós assim o consideramos.
 

Por isso, tendo em conta os avatares da história e que quem prestigiou a língua e a levou fora das suas fronteiras foi Portugal ao tempo que ampliava as suas conquistas, primeiro ao norte de África e depois aos cinco continentes, e que internacionalmente é conhecida por português, ainda que na história da literatura há um espaço de tempo que se conhece como galego-português e mesmo que apareça primeiro em documentos medievais como galego, o nome do idioma é português quer para Portugal, Brasil e Palops como para a Galiza. Falar hoje em galego ou português da Galiza é o mesmo. É o mesmo caso de castelhano e espanhol. O de nomes é indiferente. O fundamental é que estamos a falar da mesma língua.
Elaborar, pois, um dicionário com o léxico da Galiza e dar-lhe o nome de Dicionário do Português da Galiza não é nenhum absurdo nem disparate. O léxico recolhido aqui na Galiza é o mesmo que se emprega em todo o norte de Portugal e mesmo na Beira, na Estremadura e no Algarve. Os clássicos portugueses, Camões e Gil Vicente, e os modernos como Camilo Castelo Branco e Torga, etc. são mais galegos nos seus escritos do que portugueses lisboetas. Léxico este que foi desterrado dos dicionários portugueses mas que, afortunadamente, se está a introduzir nos dicionários atuais, como o da Academias das Ciências de Lisboa, ainda que registados como localismos. Mas localismos são todos, simplesmente que a uns se lhes tem mais em conta do que a outros.

Dizer simplesmente que o Dicionário do Português da Galiza não é um dicionário só para galegos ou portugueses, é um dicionário para todos os que têm como língua o português.
Tendo em conta que Galiza continua a ser, linguisticamente, uma continuação de Portugal para o norte e de que formamos um continuum cultural e linguístico, ao redigirmos o material tivemos em conta esta pertença e redigimos no Acordo Ortográfico do português europeu. Com isto não queremos dizer que seja melhor do que a brasileira. E como em Portugal se optou por uma dupla ortografia para muitos vocábulos que no Brasil ficam inalterados, nós optamos pola variante tradicional mesmo que nalguns casos coincidam Brasil e Portugal. Simplesmente por coerência. Esperemos que Portugal e Brasil deem um passo mais para a frente para assim termos um padrão ao que olharmos todos.




Bibliografia
  • (Atas, 587-588) = Congresso sobre a situação actual da Língua Portuguesa no mundo, Actas,Volume I, Lisboa, 1985.
  • (Bechara, 24) = Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, 37ª edição atualizada pelo novo Acordo Ortográfico, editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2009.
  • (Buescu, 168) = João de Barros, Gramática da Língua Portuguesa (1540), Reprodução facsimilada, leitura, introdução e anotações por Maria Leonor Carvalhão Buescu, Lisboa, 1971.
  • (Buescu, 54, 90, 206, 219-220) = Duarte Nunes de Leão, Ortografia e Origem da Língua Portuguesa, introdução, notas e leitura de Maria Leonor Carvalhão Buescu, IN-CM, , Lisboa, 1983.
  • (Cintra III, 180) = Cintra, Luís Filipe Lindley, Crónica Geral de Espanha de 1344, Edição crítica do texto português, Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1961.
  • (Cunha-Cintra, 10-11) = Celso Cunha-Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, 3ª ed. Sá daCosta, Lisboa 1986.
  • Estraviz, 723-732) = Estraviz, Isaac Alonso "Do Návia ao Mondego Semente da Língua portuguesa" em Da Galiza a Timor, A lusofonia em foco, Vol. I, pp. 723-732. Santiago, 2008.
  • (Freixeiro Mato, 26) = Xose Ramón Freixeiro Mato, Lingua galega: normalidade e conflito, Laiovento, 1997.
  • (Freixeiro Mato, 2) = Xose Ramón Freixeiro Mato, A Lingua das Cantigas, Congreso da Lingua Medieval Galego-Portuguesa na Rede, Vieiros.com, 1999.
  • (López Estrada , 59) = Francisco López Estrada, Las poéticas castellanas de la Edad Media, Madrid, Taurus, 1985.
  • (Monteagudo, 171) Henrique Monteagudo "Aspectos sociolingüísticos do uso escrito do galego, o castelán e o latín na Galicia tardomedieval (ss. XIII-XV)", em Estudios galegos en homenaxe ó profesor Giusepe Tavani, Coord. Por Elvira Fidalgo e Pilar Lorenzo Gradín. Publicacións do Centro de Investigacións Lingüísticas e Literarias Ramón, Piñeiro, Santiago de Compostela, 1994.
  • Pensado, J. L. Miragres de Santiago, Edición y Estudio Crítico. Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Madrid, 1958.
  • (Torres, 147; 150-151) = Fernão de Oliveira, Gramática da Linguagem Portuguesa (1536), ed. crítica, semidiplomática e anastática por Amadeu Torres e Carlos Assunção, Lisboa, 2000.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O deus Lugh, o Lughnasad, Lugo e a Bandeira do Reino




Por José Manuel Barbosa

A comemoração do Lughnasad no antigo mundo celta coincidente com o antigo 1 de agosto -hoje 11 de agosto pela modificação do calendário juliano para o gregoriano-, traz-nos à mente um elemento a comentar que não é de pouca importância.

Moeda comemorativa da coroação como deus Lugh do Imperador Augusto em Lugdunum, atual Lyon, na região do Ródano-Alpes (Ocitânia)

Na foto que apresentamos aqui, aparece a moeda comemorativa da entronização de Augusto na floresta de Lugh em LUGDUNUM, na Gália.

No Festival do Lughnasad do ano 12 a.C, o Druso,  filho adoptivo do Augusto e no lugar onde a confederação de povos gauleses situavam o santuário sagrado de todas as Gálias com o nome de Lugdunum, construiu a que será chamada a Ara Augusti que representa o Imperador romano fazendo-se coroar ante a multidão assistente como o deus celta Lugh. O acontecimento materializa o pacto do governo dos Gauleses com o Imperador. Existem diversas referências numismáticas do acontecimento e em todas elas, aparece no anverso a figura do Augusto como filho do Júlio César, pai da pátria e conquistador da Gália  sobre o texto: "CAESAR AVGVSTVS - DIVI F PATER PATRIAE" . . . . . . . . . .  (Augusto, Filho do Divino Pai da Pátria (é coroado no Altar de Lugh). É o ano de 12 a.C. No reverso o altar onde as oferendas e ritual se celebraram com duas colunas a ambos os lados e o texto: "ROM ET AVG"

Aliás, perto de Lugdunum, no território da tribo dos Voconcios, estava situado o santuário existente desde antes da conquista romana chamado com o nome de Floresta de Lugh. Na celebração e com habilidade política não isenta de espírito imperialista, faz que se mude o nome tradicional da fraga pelo de LUCUS AUGUSTI, quer dizer, Floresta (sagrada) de Augusto. A dia de hoje esse lugar leva por nome Luc en Diois na região de Ródano-Alpes.
Moeda comemorativa da coroação como Pontifex Máximus do Imperador Augusto em Lucus Augusti, atual Lugo, capital do Conventus Juridicus Lucensis e uma das três cidades mais importantes da Gallaecia romana.

Esta outra foto representa a moeda comemorativa da Sacramentum do Imperador Augusto na Floresta de Lugh em LUCUS AUGUSTI, na nossa Gallaecia.

Paulo Fábio Máximo por ordem do Augusto, concretiza com os povos galaicos o Sacramentum (Juramento Sagrado) que estabelece o pacto do seu relacionamento futuro. 
No Pacto, estabelece que doravante os galaicos deverão ser fieis a Roma que deverão estar em paz constante, terão de habitar as cidades e acampamentos designados pelos romanos longe das alturas dos seus castros fortificados e que neles estarão o Conselho de cada uma das novas localidades destinadas a albergar a todos os povos da velha Kalláikia, agora Gallaecia. Uma dessas cidades há de ser a capital de entre todas e nas regiões do Norte há de ser aquela onde o Augusto sela esse Sacramentum (Juramento Sagrado) com os nativos no altar da Floresta de Lugh em 12 a.C. Daí em adiante ele vai-se fazer chamar com o nome de Pontifex Maximus, como aparece no reverso da moeda comemorativa, de igual maneira do que a outra de Lugdunum. Nesse reverso aparece o texto completo dizendo: "CAESAR PONT MAX" . . . . . . . . . . . . . . . . . . " (Augusto, Pontífice Máximo, (sela o Sacramentum em Lucus Augusti)). Também do ano 12 a.C. O altar onde se levou a cabo a oferenda sagrada a Roma e ao Imperador Augusto aparece igualmente no anverso com o mesmo texto do que a moeda de Lugdunum. Nele diz também: "ROM ET AVG"
Reprodução do altar onde se fizeram as oferendas perante a proclamação do Imperador Augusto como Lugh em Lugdunum e como Pontifex Maximus em Lucus Augusti nas Florestas Sagradas de Lugh de ambas as cidades gaulesa e galaica.
Nesta terceira foto aparece uma reprodução de como seria o altar onde se fizeram os Sacramenta em ambos os casos com probabilidade situados os dous nas Florestas Sagradas de Lugh, no Lugdunum/Lyon ocitano e no Lucus Augusti/Lugo galaico, não sabemos se talvez antes também denominado Lugdunum, Lugbriga ou algo parecido...



A cidade de Lugo foi cristianizada da mesma forma do que todo ocidente e a ideia do Sacramentum foi herdado pela Igreja Católica continuando na tradição romana, até o ponto de ser um símbolo da cidade. 
Sacramento da Igreja de Lugo que nos lembra na estética às romanas.
É a quarta foto na que aparece a Custódia do Sacramento da Catedral de Lugo cuja feição lembra o altar exposto para o Sacramentum nas moedas do Imperador Augusto. A importância dada pela igreja é herdado daquele poder romano do qual deriva e portanto também desde Roma lhe vem o privilégio do Papa para ser exposto publica e permanentemente assim como para ser levado em procissão.
Escudo do Reino de Galiza do Armorial Segar de Inglaterra do ano c 1282
O Cálice e a Hóstia sediados no Sacramento de Lugo foram transladados ao escudo da cidade como símbolos representativos da mesma e em consequência originaram do Escudo de Armas da Galiza a partir do século XIII.
Escudo do Reino de Galiza usado durante o século XVI
Daí em adiante e até o ano 1833 o escudo de armas e o símbolo vexilológico da Galiza foi representado até essas datas por uma bandeira na que o graal ou cálice ao lado da Hóstia, posteriormente acrescentada, conformaram uma simbologia histórica. 
Bandeira Galega histórica dos armoriais europeus desde o século XIII até o XIX

É por isso que consideramos que na História da simbologia do Nosso País a ancestralidade do velho deus celta Lugh e da sua festividade, o Lughnasadh a celebrar durante o mês de agosto, marcam a personalidade do nosso Escudo Nacional e da Bandeira do Reino da Galiza desde o século XIII até o momento em que esse Reino desaparece legalmente em 1833. Só com a recuperação duma realidade institucional a finais dos anos 70 e começos dos 80 do século XX recuperamos oficialmente uma antiga imagem simbolica. A imagem do Graal, ou Cálice, provenientes do Sacramento da Catedral de Lugo, à sua vez herdeiro estético do altar onde se celebrou o Sacramentum (Juramento de fidelidade) no que o Imperador Romano pactua com os galaicos a "Pax Romana" nomeando-se a si próprio, com probabilidade, como Deus Lugh, um dia do Lughnasadh do ano 12 a.C, na Floresta sagrada de Lugh faz esse milagre que funde as raízes do nosso País na mais ancestral tradição identitária céltica.


Deus Lugh




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Entrevista ao Professor Doutor Anselmo Lopez Carreira




Equipa do DTS
Câmara: José Goris
Apresentação: José Manuel Barbosa

Entrevistado



Bibliografia de Anselmo Lopez Carreira

Ensaio

Edicións

  • Libro de notas de Álvaro Afonso: Ourense, 1434, 2001, Consello da Cultura Galega. 2ª edición en 2005.

Obras colectivas

  • Historia de Galicia, 1979, AN-PG.
  • Historia de Galicia, 1992, A Nosa Terra.
  • Historia Xeral de Galicia. 1997, A Nosa Terra.
  • Da terra de Lemos ao Reino de Galicia, en colaboración con Sabela López Pato (2009), Xunta de Galicia.
  • Marcos Valcárcel. O valor da xenerosidade (2009), Difusora.









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