sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Sobrervivência da deusa céltica Morrigan na mitologia galega


Por David Outeiro

Lembro a primeira vez que me falaram dum encontro com ela...

Era uma das primeiras tardes do outono do ano 2011. Tive a ideia de ir ver o castro de Pena Rubia, onde aparecera uma ara à deusa Navia. Apanhei o meu Terrano como fazia habitualmente porque poderia ser que aquele dia, como muitos outros, tivesse de ir até algum lugar onde só chegassem os veículos com tração às quatro rodas e cheguei até as proximidades do Rio Minho, que naqueles dias tinha pouca água. Fui por uma estrada que atravessava uma formosa carvalheira, cruzei para a outra beira e em pouco tempo vi claramente o Castro, mesmo ainda antes de ver o cartaz que indicava que estava entrando nele. Na entrada da antiga cidade célta havia um espigueiro com uma cruz céltica e um galo ao pé. Acarão do hórreo havia um homem idoso sentado, que estava a olhar para mim; a minha intuiçao fez com que eu fizesse uma paragem e arrumasse o meu carro. Sentei-me no banco onde ele estava e começamos a falar; falou-me duma preocupação que eu compartilhava, a de tantas semanas sem chuva, situação que tinha deixado tudo seco. Continuamos a conversa e falou-me de que naquela altura ele era o dono do castro mas parecia não saber nada da ara de Návia... ou de qualquer pedra com letras gravadas, já que com essas palavras eu lhe fiz a pergunta. O senhor falou-me duma mamoa que estava a procurar e sinalou-me o cimo duma montanha. Quando chegou o momento de me ir, ja era um bocado tarde e tinha de subir até o alto assim que me despedi dizendo-lhe que voltaria vê-lo.
Não demorei muito em voltar por lá com tão boa sorte que achei de novo ao homem em aquele lugar subindo a encosta que dá ao castro. Baixei para falar com ele novamente, para saudá-lo e a conversa prolongou-se bem tempo. Perguntei-lhe por lendas da zona, mas dissera não conheçer nenhuma. Ainda assim houve um momento em que ele me disse: “mas....sim há alguns contos”. Ouvi com atenção e falou-me da gente de Pena Rubia que tinha escutado ao trasno; falou-me também dalguma “maldição” que tinha um homem que fora a tirar pedras do castro sem “prenda da igreja”; falou-me daqueles que foram na procura de tesouros às mamoas da zona. Eu tinha a perceção de que o que aquele senhor me estava a contar não eram lendas para ele, eram uma realidade que se contava para ser transmitida diante do fogo da lareira... Quando a conversa foi derivando em mais cousas mercê à confiança acabou falando-me dum encontro com uma misteriosa e poderosa mulher. Contava -dizia ele-, a historia dum homem apoutado do lugar que ia transitando um dos vieiros daqueles montes. Por uma vez presenciou algo estranho: uma mulher apareceu no meio do caminho sentada enquanto estava a fiar. O homem não podia passar pelo que lhe disse-lhe á mulher dum jeito algo rude: “Afasta-te ou afasto-te!?”. A mulher negou-se a sair do caminho, ergueuse e começou a lutar com o homem. Enquanto pelejavam rodavam pela encosta abaixo até onde estava o rio. Como parecia que o homem tinha as de perder ele percebeu que aquela era uma mulher sobrenatural e portanto começou a “fazer cruzes”. Ao fazer as cruzes, o homem conseguiu libertarse dela, que zangada chegou a manifestar: “Se não chegas a fazer as cruzes, mato-te”. Aquela era uma mulher que fiava (o destino dos homens), uma poderosa e guerreira que levava os homens ao além ao atravessar o rio!... Uma mulher pagã que só o cristianismo (as cruzes) puderam frear... ainda que lá continuava!. Era Návia Corona! Morrigan!, a deusa guerreira e agoireira da morte!. Aquele homem não conhecia a ara, mas parece ser que alguém, no mesmo lugar onde apareceu o jazigo, deu com a mesma deusa!.

Vamos continuar a recompor o nosso quebra-cabeças...
Há um fermoso romance recolhido em Cerdedo no ano 1904 por Vítor Said Armesto duma velha esmoleira chamada Luzia Domingues. O romance musicado por “Fuxan os ventos” fala duma figura mitológica, a Lavandeira...diz assim:
Na mitología galega, a Lavandeira é um espírito feminino, uma mulher sobrenatural que pertence ao outro lado, ao outro mundo. A aparição manifesta-se na beira dos rios ou também nos lavadoiros. É uma mulher de aspecto temível, velha e enrugada segundo dizem alguns. Emite horríveis vozes, laios e berros...enquanto lava a roupa cheia de sangue. Essa é a roupa dos que vão morrer, por isso a Lavandeira é agoireira da morte e o seu aviso é temido. Esta aparição pode fazer uma petiçao àqueles que dão com ela; a de ajudar a lavar a súa roupa. No caso de aceitar a petição os infelizes deverão escorrer as peças torcendo-as no sentido contrario a ella, já que se o fazemos no mesmo sentido a nossa morte será segura e acabará levando-nos com ella ao Além.

Na Ilha de Ons, nas costas de Ogrobe, conta-se a história dum homem que ousou achegar-se à Lavandeira. Neste caso lavandeiras, porque são três mulheres que ele achou lavando uma noite. Achegou-se por curiosidade e perguntou-lhes que era o que faziam lavando a roupa àquelas horas da noite. Uma delas ergueu-se e colhendo o homem pelas suas roupas lançou-o sem esforço até uma silveira. O medo paralisou-o de tal jeito que ficou na silveira toda a noite até que pela manhã os vizinhos que por ali passaram tiveram que tirá-lo dali.

Na Irlanda existe “the Washer-Woman at the ford” (Lavandeira do vão) ou as Banshee (As mulheres do Sidh). As Banshee ao igual que as nossas Lavandeiras são um agoiro de morte. Lavam também as roupas cheias de sangue emitindo os mesmos berros e laios do que as nossas. Pode aparecer como mulher jovem e fermosa, como uma dama ou como uma temível velha -curioso triplo aspecto da deusa ao igual que na aparição da Ilha de Ons-. Pode aparecer também com a forma de corvo viaraz, arminho, donicela ou lebre. As banshee têm a particularidade de estarem vinculadas àlgumas familias importantes. Quando alguém da familia vai a morrer, a Banshee associada ao clã começa a chorar. A apariçao de varias banshee à vez indica a morte de alguêm importante ou sagrado.

Na Escocia é conhecida pelo nome de Bean Nighe ou Nigheadaireachd. Aparece igualmente lavando as roupas de aqueles que vão morrer em rios ou lagos mas têm alguma curiosa particularidade como é a de às vezes aparecerem com os pés palmeados como as aves aquáticas. Nas crenças célticas, este tipo de aves têm a ver com as mensageiras do Além. Talvez por causa da natureça das aves e que ao morarem em meios aquáticos estejam no limiar do além. Se uma pessoa consegue mamar do seu peito, pode transformar-se no seu filho adoptivo e pedir um desejo,como por exemplo saber o nome daqueles que vão morrer. O escritor Dorothy K. Haynes narra uma história dum encontro com uma destas mulheres protagonizado por uma menina chamada Mary. Um dia a menina voltava à sua casa quando escutou um ruido no rio. Ela foi pensando que acharia a sua mãe lavando a roupa mas achou uma mulher com má cara que tinha pequenos pés palmeados como os patos. Mary achegou-se com cuidado mas a mulher bateu nela. Por causa disto, as pernas de Mary paralisaram-se e não pôde caminhar ficando no caminho. A sua mãe conseguiu achá-la após uma angustiosa procura e levou-a para a casa. A história tem um final trágico com a morte de Mary. A Bean Nighe...estava a lavar a roupa da própria menina.
 
Em Gales é conhecida com o nome de Cyhyraeth (fantasma ou esqueleto). É um agoiro de morte que emite uma voz que soa três vezes, um triple aviso que cada vez pronuncia com menos intensidade. Também aqui se fala do facto de ter que lavar a roupa no sentido contrario aquela pessoa que consegue dar com ella. De fazê-lo assim concederá 3 desejos.

Na Bretanha armoricana é conhecida com o nome de Tunnerez noz. Ao igual que as outras apariçoes análogas lava no rio as roupas dos que vão morrer aguardando até que alguêm caia na sua armadilha e possa levá-lo ao além.

Como podemos ver é uma aparição com características idénticas ou muito similares nas terras célticas da Galiza, Escocia, Gales, Irlanda e a Bretanha.

Mas agora chega o momento de desvendar a antiga identidade das Lavandeiras. Segundo contam as sagas do herói guerreiro céltico Cúchulainn, Badb apresentouse antes da última batalha do combatente como um agoiro de morte. Cúchulainn vai cara a sua ultima batalha, quando se conta;

Não foram muito longe do castro (de Emain Macha) quando acharam uma bela donzela, bem proporcionada, diante de Áth na Foraire na chaira de Emain, que estaba gemendo e queixando-se à vez que esmagava e lavava restos vermelhos de troços de carnes de feridas feitas nacos nas beiras dum vão”

O druida Cathbad interpretou isto como um agoiro e disse-lhe a Cúchulain que a mulher é Ingin Baidbhi, filha de Badb, que o lavar e o berrar presagia a sua morte:

-Pequeno cão-diz Cathbad-. Sabes o que está a fazer a jovem? O que está lavando são as tuas roupas. Os seus choros e berros ao lavá-las é a sua forma de exprimir a tua próxima morte quando te enfrentes ao exército de Medb. Segue o meu conselho e dá a volta.
-Caro mestre... agradeço muito o teu conselho, mas tu sabes, como eu sei, que o meu fim está próximo e que vou cair lutando. Não tentes que o evite, porque tanto se vou a essa batalha como se fico lá, a minha morte combatendo está próxima.”

Há outra saga na que se fala do rei Cormac onde também aparece Badb como agoireira. A seguinte cita é da saga “Togail Bruidne Da Choca”:

...Cormac Connloingeas, filho de Conchobar mac Nessa, rei do Ulster, vai de caminho desde Connacht até Ulster para ser coroado após a morte do seu pai e ao igual que Cúchulainn, o destino obriga-o quebrar durante a viagem várias geissa (tabus) que o druida Cathbad lhe tinha dito ao nascer. Quando ele e os seus 300 seguidores chegam ao a Rio Shannon, acham uma mulher vermelha à beira dum vão lavando o seu carro de guerra, os assentos e os arneses. Quando ela baixava a mão, a água do rio volta-se vermelha. Mas quando erguia a mão sobre a parte superior das augas, nãoo ficava nem uma gota de água no rio, já que toda era levantada também no alto; e desse jeito cruzaram o rio sem se molharem os pés.”.

Há uma história bélica muito posterior, acontecida na Escocia. No “Cáithréim Thoirdhealbhsigh” fala-se da Batalha de Dystert O'Dea que teve lugar em 3 de Maio de 1318 onde aparece Badb:

Richard de Clare, o chefe dos normandos, dirigir-se-ia até o que acreditava ia ser uma fácil vitória sobre os O'Deas Dystert. Quando ele e o seu exército estavam prontos a cruzar o Rio Fergus, viram no vão uma horríbel Badb lavando as armaduras e luxosas capas até que delas caia sangue vermelha que tingia as águas do río dessa cor. De Clare pediu a um intérprete irlandês que lhe perguntasse á mulher de quem eram essas armaduras e roupas. Ela respondeu “que eram as armaduras, vestiduras e outras vestes do próprio De Clare, seus filhos e o resto dos seus seguidores, muitos dos que não demorariam muito em morrer.” A mulher identificou-na como “In Dodárbrónach- A escura das augas”. De Clare ordenou então que a ignorassem, dizendo que ela viera beneficiar ao Clan Turlough para evitar a expedição contra eles. Finalmente a profecia cumprir-se-ia e De Clare e os seus foram derrotados e mortos...”
No “Cáithréim Thoirdhealbhsigh” também se fala da aparição de Badb na batalha de Corcomroe Abbey, North Clare, em 15 de agosto de 1317.

O rei irlandês recebe a visita de Aoibheall, uma Badb. Citando a Manuel Alberro em ”Diosas celtas”:
Numa descrição do S XII da Batalha de Clontarf (1014) que pus fim às guerras com os viquingues e o seu poder em Irlanda, Aoibheall aparaceu-se-lhe a Brian Ború, rei supremo da Irlanda, a noite anterior da batalha, e predisse que morreria nessa luta, que o primeiro dos seus filhos que ele visse na manhá da batalha seria o seu sucesor e próximo rei.”

Falamos de que Badb se apresenta em forma de mulher lavandeira mas como o seu nome indica, também é um corvo viaraz. Nas crenças galegas o corvo é um animal de mal agoiro, porque é um mensageiro do Além que pode anunciar a morte. Existe também a crença no “passaro da morte”, o qual se apresenta de noite laiando, falando com voz lúgubre ou cantando. A coruja também pode dar este aviso.


A Morrigan pôs-se em forma de pássaro sobre uma pedra vertical que havía em Temair Cuailnge. E falou assim (a Dom Cuailnge);
(…)
Corvos sobre os sanguentos cadáveres, chairas cheias de guerreiros mortos, heróicos guerreiros abatidos pelo pó, guerra sem fim, gado em tropel à carreira, batalhas em Cuailnge, os laios ominosos de Badb no lusco-fusco do campo de batalha, filhos mortos, maridos mortos, camaradas mortos, morte! morte!”

A deusa também se lhe aparece a Cúchulainn numa ocasião em forma de corvo, dizendo o guerreiro: -A aparição dum pássaro neste lugar é de muito mal agoiro!

Sabemos também que a morte de Cúchulainn chega (depois da aparição da lavandeira) quando um corvo se põe sobre ele.

A deusa da morte apareceu perante o herói durante o transcurso da súa vida numa ocaisão com fim positivo:

A Morrigan, na época de Cúchulainn , acostumava a interferir nos assuntos de Irlanda, instigando guerras e pelejas. Ela foi quem numa ocasião levantou Cúchulainn, quando ele era muito jovem, sobre o seu leito e quando estava a ponto de ceder ante o esconjuro mágico que estava sendo utilizado contra ele”.

Como podemos olhar Mórrigan (Grande Rainha), Badb(o corvo viaraz) e Macha (A chaira) são três manifestações “sombrías” duma mesma deusa. Uma deusa que não participa diretamente na guerra mas que interfere nos seus resultados com a sua magia na forma dum corvo viaraz. Uma agoireira de morte que costuma aparecer na forma duma Lavandeira. Uma deusa muito ligada com a morte e portanto com a transformação, o renascimento, o fim dum ciclo. A sua ligação com os cursos de água é clara, já que no mundo céltico são um limiar, uma fronteira que nos permite fazer um trânsito ao Além.

Vemos a obviedade de ser uma divindade comum nas religiões célticas. Por isso a Lavandeira aparece tambêm na Galiza, como fruto duma origem comum. Na minha opinião, esta é a identidade de Návia, que num ara vai acompanhada do epíteto Corona, quer dizer, chefa dum exército. É por isso que há também rios com o seu nome, por causa de que eram um lugar de trânsito ao Além onde se podia aparecer a deusa. De muitas más evidencias falaremos em próximos artigos.

Na Gália aparece com o nome de Cathubodva Bodua e pode ser a mesma Nantosvelta que se tem representado associada ao corvo viaraz.

E passaram milénios e passaram séculos e hoje na Galiza, a Morrigan, A Grande Rainha continua a estar presente.



Nota; Há confusão sobre a associação de Badb com os corvídeos. O corvo(Corvus corax) e o corvo viaraz (Corvus corone) não são a mesma espécie. Na minha opinião Badb está associada ao Corvus corone e Lugh ao Corvus corax, de maior tamanho.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Direito de Autodeterminação não é ilegal na Espanha




Equipa do DTS

O governo de Artur Más encomendou a um grupo de juristas a procura duma normativa legal internacional dentro da qual o Reino da Espanha esteja incluído e obrigado para dar a conhecer que a Catalunha tem direito à Autodeterminação (e com ele qualquer povo que assim o reclamar). O estudo levou aos juristas ao seguinte:
O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos está dentro do Sistema dos Direitos Humanos das Nações Unidas à qual pertence o Reino da Espanha (Legislação aqui) reconhece na sua primeira parte, artigo 1.1 o direito de autodeterminação dos povos...
Diz assim:
PRIMEIRA PARTE
Artigo 1.º
1. Todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, ELES DETERMINAN LIVREMENTE O SEU ESTATUTO POLÍTICO E DEDICAM-SE LIVREMENTE AO SEU DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO, SOCIAL E CULTURAL.
2. Para atingir os seus fins, todos os povos podem dispor livremente das suas riquezas e dos seus recursos naturais, sem prejuízo de quaisquer obrigações que decorrem da cooperação económica internacional, fundada sobre o princípio do interesse mútuo e do direito internacional. Em nenhum caso pode um povo ser privado dos seus meios de subsistência.
3. Os Estados Partes no presente Pacto, incluindo aqueles que têm a responsabilidade de administrar territórios não autónomos e territórios sob tutela, são chamados a promover a realização do direito dos povos a disporem de si mesmos e a respeitar esse direito, conforme às disposições da Carta das Nações Unidas.
Igualmente no Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais aprovados pela Assembleia Geral da ONU em 1966 no seu artigo 1.1 diz (Legislação aqui):
Artigo 1.1
PARTE I
Artigo 1º
§ 1. Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento económico, social e cultural
Igualmente no seu artigo 3º diz:
§3. Os Estados Membros no presente Pacto, inclusive aqueles que tenham a responsabilidade de administrar territórios não autónomos e territórios sob tutela, deverão promover o exercício do direito à autodeterminação e respeitar esse direito, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas.
Por outra parte a Constituição espanhola (aqui) no seu Capítulo II: Sobre os tratados Internacionais diz:

CAPÍTULO III. DE LOS TRATADOS INTERNACIONALES.

Artículo 93.
Mediante Ley orgánica se podrá autorizar la celebración de Tratados por los que se atribuya a una organización o institución internacional el ejercicio de competencias derivadas de la Constitución. Corresponde a las Cortes Generales o al Gobierno, según los casos, la garantía del cumplimiento de estos Tratados y de las resoluciones emanadas de los organismos internacionales o supranacionales titulares de la cesión.
Artículo 94.
1. La prestación del consentimiento del Estado para obligarse por medio de Tratados o convenios requerirá la previa autorización de las Cortes Generales, en los siguientes casos:
a.     Tratados de carácter político.
b.     Tratados o convenios de carácter militar.
c.     Tratados o convenios que afecten a la integridad territorial del Estado o a los derechos y deberes fundamentales establecidos en el Titulo primero.
d.     Tratados o convenios que impliquen obligaciones financieras para la Hacienda Pública.
e.     Tratados o convenios que supongan modificación o derogación de alguna Ley o exijan medidas legislativas para su ejecución.
2. El Congreso y el Senado serán inmediatamente informados de la conclusión de los restantes Tratados o convenios.
Artículo 96.1. Los tratados internacionales válidamente celebrados, una vez publicados oficialmente en España, FORMARÁN PARTE DEL ORDENAMIENTO INTERNO. SUS DISPOSICIONES SÓLO PODRÁN SER DEROGADAS, MODIFICADAS O SUSPENDIDAS EN LA FORMA PREVISTA EN LOS PROPRIOS TRATADOS O DE ACUERDO CON LAS NORMAS GENERALES DEL DERECHO INTERNACIONAL.
2. Para la denuncia de los tratados y convenios internacionales se utilizará el mismo procedimiento previsto para su aprobación en el artículo 94.

Conclusão:
1-  A Espanha está na ONU e aceita o ordenamento jurídico da internacional.
2- A Espanha assinou o  Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos incluído dentro do Sistema dos Direitos Humanos da ONU. A Espanha assinou igualmente o Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais. Ambos tratados entraram em vigor em 19 de Dezembro de 1966.
3- A Constituição espanhola garante que a legislação internacional, nomeadamente a emanada da ONU à qual pertence de pleno direito, faz parte do seu ordenamento jurídico e portanto RECONHECE INDIRETAMENTE no seu artigo 96 o direito de AUTODETERMINAÇÃO dos povos ao serem estes tratados anteriormente citados (Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e  Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais) parte da legislação internacional à qual se vincula o Reino da Espanha, só podendo renunciar a ela derrogando-a, modificando-a ou suspendendo-a nas formas previstas pelos próprios tratados ou de acordo com as normas internacionais.
4- Se a Galiza (ou quaisquer outros territórios do Reino da Espanha) optar por exercer o seu direito de autodeterminação estaria de acordo com a legislação internacional que a Espanha aceita. Se o Estado ao que à Galiza pertence optasse por impedir, limitar ou obstaculizar esse direito, seria o Reino da Espanha o que estaria incumprindo a sua própria legislação e a legislação internacional dentro da qual se incluiu voluntariamente quando aceitou e assinou toda a legalidade emanada da ONU à qual pertence desde.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A gaita: O primeiro instrumento europeu no Brasil


Por José Manuel Barbosa 
(o meu agradecimento a Amândio da Sousa Vieira, amigo de Ponte da Lima que nos forneceu a valiosa informação deste artigo)

Foi em Abril de 1500 quando se tem notícias de que os portugueses acharam o Brasil numa expedição chefiada por Pero Álvares Cabral com destino final a Calecute. O nome que os europeus lhe deram num princípio foi "Terra de Santa Cruz" e acreditavam que aquilo poderia ser uma ilha. Ideia que assentaram poucos anos depois pensando que esta limitava ao Norte pelo Amazonas e no Sul pero Rio da Prata. Só muitos anos depois foi que lhe deram o nome de Brasil cuja etimologia céltica é induvitável para muitos de nós (ver aqui).
Desde há já tempo existe a controvérsia sobre o achamento dessas terras havendo a teoria de que foi Duarte Pacheco Pereira o primeiro europeu em chegar àquelas verdes terras do além-mar mas isso não tem muita importância para o que queremos contar hoje.
Foi o escrivão da expedição Pero Vaz de Caminha quem lhe escreve ao Rei Manuel I uma carta com data em 1 de Maio de 1500 narrando tudo o que os portugueses viveram chegados o lugar por eles chamado Porto Seguro onde um grupo de indígenas foi a recebê-los pacificamente. Para os olhos dos nossos portugueses aqueles homens e mulheres eram inocentes e puros, colaboradores e amicais. Esse ponto conseguiu que mesmo comessem e bebessem juntos....e mesmo um dos expedicionistas de nome Diogo Dias, levasse lá um conhecido instrumento nosso para dançarem, folgarem e rirem todas elas ao galaico som da gaita-de-foles.
 Para nós, galegos e galaicos em geral é importante saber que a primeira música que ouviram os habitantes dessas, para nós, longínquas terras brasileiras foi o nosso instrumento nacional por excelência. A nossa gaita.
Deixo aqui o pequeno trecho do texto de Pero Vaz de Caminha onde diz o que acima comentamos:

"Além do rio, andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então além do rio Diogo Dias, almoxarife que foi de Sacavém, que é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo muito os segurou e afagou, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima."

Posteriormente a este episódio e segundo vai passando-se o tempo as gentes chegadas da África vão deixar a sua forte e fundamental pegada musical no Brasil, opacando a dia de hoje essas primeiras músicas....embora saibamos que na memória dos mais estudiosos ainda esteja viva essa presença galaica.





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Entrevista ao Homem da Pedra


Por David Outeiro

José Luís Lozano Rua é um homem humilde, mas conhecedor e sabedor do valor do nosso património. Há algo mais dum ano ele fez um achado importante. Trabalhando uma das suas leiras junto com o seu irmão deu com uma pedra enterrada que resultou ser uma "estela" com petróglifos e mais alguns outros elementos dignos de ser tidos em conta por uma administração que não só não atende aquilo que os galegos herdamos do passado mas que mesmo destrói o nosso legado ancestral. O fim da administração? Talvez seja muito arriscado dizer que não quer que exista o nosso passado porque não quer que existamos no futuro?....




Vamos ver que opina o nosso Homem da Pedra: 

Quando e onde é que apareceu o jazigo? Como é que fizeste o achado? foi casual?

O de jazigo é uma nova palavra para mim, suponho que é mais correcta do que achado, mas vou usar esta.

Tentarei de responder por ordem e não repetir as cousas. Eu faço isto desde um telemóvel, com o qual não tenho capacidade de ler em conjunto todo o que escrevo, para além dum pequeno parágrafo. Uma vez isto fica dito, lá vamos. Começo respondendo às duas primeiras de vez.
A leira onde apareceu a estela, está enquadrada no termo chamado da Pedralta. Não se sabe a sua antiguidade, mas sim a sua origem, a própria estela. No ano 2009, meu irmão, o proprietário desta leira, mandou-a lavrar a um vizinho de Vilamaior, uma aldeia próxima. O trator que usou é mais potente do que o nosso e aprofundou mais no terreno do que já tinha feito em outras vezes anteriores. Com isto quero dizer que o achado foi totalmente casual e o vizinho não lhe deu mais importância do devido, excetuando o dano causado no apeiro. Este labor foi feito em primavera e não foi até o outono -acho que foi novembro-, quando fui dar um passeio até o rio da Veiga, nome que lhe damos ao Tâmega. Desde a estrada de terra por onde ia eu, chamou-me a atenção aquele penedo, numa margem da leira. Uma pedra de granito, um perpianho distante uns cem metros de mim. Nesta margem do rio não há granito, só xisto (lousa), por isso o raro do assunto. Quando me aproximei para vê-lo melhor, o sol-pôr estava próximo, como muito a uma hora de luz. Essa luz que lhe dava à pedra, quase esguelhada, permitiu-me ver uns gravados desde longe, talvez uns quinze metros. O coração deu-me um pulo no peito. Aquilo era um petróglifo ali, saindo da terra! Isto pode parecer exagerado, inclusivamente poético, mas foi como sucedeu. O significado desses gravados não os soube até muito tempo depois.

Há máis jazigos arqueológicos nessa zona? há alguma lenda?

As estradas e pistas que hoje percorrem esta terra, não se correspondem com as anteriores à concentração parcelar dos anos 60/70. O mais provável é que a estela fosse quebrada e sepultada nessa época. Nas proximidades da Pedralta há outros termos, como o Castro, onde houve uma vila romana ou São Martinho, onde houve uma capela do mesmo nome e uma necrópole romano-sueva segundo os restos achados, vários sartegos e uma ara com o nome do primeiro homem empadroado nestas terras: Júlio Caro Tamagano. Neste ponto quero dizer, que a estela do Guerreiro também deixa constância doutro homem, mil anos anterior a este. Somente que a escritura é diferente. Pode-se dizer que hieroglífica no que diz respeita dos símbolos gravados. A estrada desde onde vi a pedra-estela leva o nome de Corredoira. Transcorre em direção Norte-Sul, quase paralela ao rio. Quinhentos metros ao norte, por arriba de São Martinho, está o castro da Cabanca, prospetado por Tavoada Chivite nos anos 50/60. No que diz respeito das lendas, estão as típicas de castros e mouros que falam de túneis até o rio e cousas assim.

Qual foi a reaçao do pessoal de Castrelo quando soube da estela e qual a dos responsáveis do património, dos arqueólogos e profissionais?

Agora passamos às pessoas. No povo não se faz muito caso deste achado, não porque não tenha importância, mas porque não se sabe avaliar essa mesma como património local e como possível fonte de recursos. A vida rural não deixa muito tempo para interessar-se noutras cousas. Desde o concelho de Castrelo, desde o primeiro momento passou o mesmo e quando vieram técnicos e arqueólogos datar, estudar e catalogar o achado já foi tarde. Isto não é uma opinião pessoal, é uma realidade comum a muitos temas, sobre tudo culturais. A cultura não dá de comer, portanto não é importante.
Resumo um pouco as voltas que me tocou dar desde o ano 2009. Nomear neste ponto a Bruno Rua, um amigo que tem um pequeno guia arqueológico da comarca e que foi o primeiro a quem lhe falei da pedra-estela naquele mesmo mês de novembro. Ele não soube ver as caraterísticas do achado, penso que condicionado pelas suas leituras, onde as estelas não existem no mundo castrejo, as influências celtas são posteriores, e a cultura atlântica não é tal. 
Todo isto que falo também não o conhecia eu, no entanto a feição da pedra sempre significou algo para mim, desde o primeiro momento. Um homem jazendo, uma tumba, nunca um guerreiro de pé, talvez uma figura ou lembrete de algo...

Continuemos. Quando finalmente, por meio de Bruno, vieram dous arqueólogos que andavam a fazer um estudo em Verim -Alberte Reboreda e Breogam Nieto- a ambos lhes surpreendeu a pedra. No entanto não falaram da sua importância nem de que era única em Galiza. Uns dias depois voltaram com um experto e o que eu pensei um técnico de património que se manteve em segundo plano. Geraldo (ou António, não lembro agora) Seara, diretor de património na província de Ourense. O experto é António de la Peña Santos, penso que diretor do museu de Ponte-Vedra e grande 'conhecedor' dos petróglifos galegos. Aqui começa o desencontro, digamo-lo así, entre aldeãos e património. Em primeiro lugar, depois de acordarmos avisar ao Concelho e interessados da sua chegada, não o fizeram. Após aguardar uma chamada, ao vereador de cultura, José Luís Santiago e mais eu, decidimos nos achegarmos a Pedralta... e surpresa!, quatro pessoas estavam a fotografar a estela in situ, e pareceu que a nossa chegada lhes produzia incomodo. Depois de alguns comentários fora de lugar e com muita pressa, acedeu-se ao traslado da estela ao pequeno museu etnográfico de Castrelo do Vale. As pressas nunca foram boas, disse o sapo quando caiu do valado e assim foi. No dia seguinte deu-se a noticia na imprensa e na televisão, sem nos dar tempo ao concelho e demais de tentar fazer as cousas doutro modo, algo que nos prejudicou ao longo desse ano e deste que remata. O tira e afrouxa continua.

Na túa opinião, onde deveria de estar a estela?

Não sei como fiar uma cousa sen outra. A ideia seria conservar o que se possa, os moinhos e represas, os lagares e caminhos, o próprio castro da Cabanca, ou a necrópole. Quando isto começou, há já dous anos, que parecem dez, falamos entre Bruno e eu de fazer uma área de interpretação no lugar da Pedralta. Um projeto a longo prazo, talvez trinta anos... Eu continuo com a ideia. Depois com o Miguel, passeando pelo castro, falamos de roteiros incluídos no projecto. Com Neves Amado a possível escavação da necrópole, restos suevos e romanos e provavelmente mais antigos e a estela como base da ideia. Sem ela não há nada.

Opino que a estela deve ficar na vila de Castrelo, no museu ou na sua ubiquação original. Não é minha intenção deixar de cumprir uma lei, que diz que esta e outras peças devem estar num museu. O feito de que se vaia embora a estela para Ourense é quase um roubo. Não só duma parte da historia de Castrelo e da comarca do alto Tâmega, também duma oportunidade única de melhorar a situação precária deste Concelho, das suas gentes. Uma pequena peça no mundo da arqueologia, mas uma peça fundamental no mundo rural.

Bem, verei se a imprimo ou a repasso. Se queres fazer alguma outra pergunta, aqui estou. Seguro que me queda algo no tinteiro, hei de buscar um par de nomes e apelidos para acrescentar.

Sobre as lendas, há uma referida à necrópole. Um vizinho diz que havia três povos, o castro, a vila romana, e o povo atual. Conta que vinham enterrar-se de trinta léguas à redonda ao São Martinho. Quase nada.

Sobre os crânios, há quem lembra o facto e falaram-me duma cabeça de raposo que veio do castro.

Fala-nos dos problemas que tiveche com a “Xunta de Galicia”?

Quando chegou a Castrelo do Vale o director do museu arqueologico de Ourense, vinha com a ideia de levar já a estela. Cousa que não pôde fazer por vários motivos. Entre eles o feito de que a estela se achava na casa familiar dos meus pais, onde eu lhe ia preparar uma base para expô-la no museu etnográfico. Dá-se a circunstância de ser eu filho de carpinteiro. Fazedor de carros e cubas o meu pai e de exercer o ofício de ferreiro, com o qual me ofereci voluntário para esse cometido. Esta situação não foi do agrado do diretor, de quem não lembro o nome, e decidiu apresentar uma denúncia que levou a abrir um expediente administrativo, onde se me acusou de 'sequestro' de bem patrimonial, com uma possível multa da que se fizeram eco os jornais, sempre sedentos de titulares. Depois de recolher assinaturas na comarca, de apresentar-se diversos escritos atenuantes desde o concelho e de senhas cartas enviadas ao Valedor do Povo e ao Defensor del Pueblo (um dado curioso foi que desde Santiago e desde Madrid, com a mesma lei, um aceitou a petição e o outro não). Bem, depois  desse, digamos, movimento de peças, veio um homem desde Santiago, Roberto Pena (não sei justo qual é o seu cargo, desculpe-se o meu desconhecimento), com a ideia de conciliar posturas.
Salto de novo a pergunta. A ver se acarão do fumeiro me saem as respostas.
Vou pela oito, para falar de prós e contras. 
Quem te apoiou?.

Desde o princípio houve muitas pessoas que se interessaram pelo achado dum ponto de vista pessoal e académico. Em primeiro lugar, o meu amigo Bruno Rua, que se plantou com argumentos irrefutáveis sobre a permanência da estela em Castrelo do Vale. Em especial Miguel Losada, pessoa envolvida em qualquer projeto cultural, que fale de conservar tradição ou mostras da nossa historia. Neste ponto falar de Manuel Gago, quem desde a notícia dada na imprensa, apoiou o seu estudo e estadia no povo onde foi feita e posta em pé; a arqueóloga Neves Amado, que respondeu com firmeza todas as minhas perguntas. Mais pessoas se foram conhecendo a partir destes quatro nexos, com maior ou menor interesse na particularidade do achado. Nas últimas datas, começando por ti, David Outeiro, José Manuel Barbosa e a partir dele André Pena Granha.
Quando estive a recolher assinaturas pela comarca, as primeiras foram no escritório de Correios, onde a resposta foi positiva e me animou a continuar. Depois em locais comerciais e de hostelaria, quase todos conhecidos meus. Nomear ao Miguel e ao Suso, que se envolveram e recolheram um bom monte de assinaturas entre os dous. Falar duma moça, que pus em risco o seu posto de empregada, por uma causa que ela considerava justa. Visitei também várias escolas, onde firmaram a maior parte de mestres e mestras, ainda que logo não quiseram fazer mais nada, como uma visita ao Gaias que eu lhes propus...

Agora um apontamento do rechaço ou desinteresse de certas pessoas, que na minha opinião deveriam, quando menos, interessar-se. Num instituto de ESO, os papeis 'extraviaram-se' duas vezes, depois soube que os professores de história decidiram não assinar em bloco. Algumas pessoas que não assinaram argumentando diferentes razões, cada qual mais curiosa. E por último, o caso que mais salientamos: Uma visita ao concelho de Verim, uma conversa com a pessoa responsável de Cultura desse concelho. Isto foi em Abril de 2012, quando a notícia se deu a conhecer um ano antes. A resposta à minha petição de apoio, foi contestada com un contundente " não sei nada'. Esta resposta, para além de me deixar frio demonstrou-me o interesse certo das administrações na cultura.

Onde é que está atualmente a estela? Sabes qual é o que pretendem fazer com ela num futuro?

Teve lugar uma reunião na Câmara Municipal (tentações tenho de pôr “inquisitorial”), entre as partes interessadas. Decidiu-se um convénio, só verbal, de ceder durante un ano a custódia da estela ao Concelho, prorrogável mais tempo se assim se decidia. Também envia-la à exposição “Gallaecia Pétrea”, durante o tempo que esta dura-se. Nesse intervalo de tempo, o Concelho levaria a cabo a habilitação duma sala no pequeno museu etnográfico da localidade, cousa que está sem fazer, depois de seis longos meses, porque pode que esse convénio verbal não seja válido. Como se diz: não é vinculante de qualquer jeito. Se quiserem desde património cumpre-se e se não, não há nada que fazer.

Tens algum projecto atualmente ou de futuro?

A recolhida de assinaturas foi o começo do caminho. Posto que não há resposta por parte de concelhos e equipas docentes. Nem da gente do comum, longe de assinar, decidi procurar apoio em associações culturais doutras partes de Galiza, ou da Gallaecia, pois fui a Chaves e à Póvoa da Seabra. Vendo o que se faz em Lugo com Trebas Galaicas, em Santiago com O Sorriso de Daniel ou a Gentalha do Pichel, ou a associação de Amigos dos Castros, Penas Mouras, o Galo..., por nomear algumas. Seguindo esse exemplo, quis formar uma associação cultural na Vila de Castrelo do Vale, algo que por enquanto não tem sido possível por varias causas. Curiosamente, eu sempre fui amante da natureza, graças ao grande Félix Rodríguez de la Fuente e durante este ultimo ano dei-me conta que a conservação do património pode e deve ir unida a conservação do espaço que criou esse património, tanto natural como imaterial... às tradições e costumes, ao jeito de aproveitar os recursos naturais, à forma dos próprios rios e montes... Todo isto conforma uma cultura, um modo de vida e à gente.
Não quero voltar ao século dezanove, nem há três mil anos, no entanto pode-se cuidar o contorno em lugar de usá-lo e com ele cuidar essa nossa cultura e história. Algo tão simples como limpar os caminhos antigos ,cheios de silvas e tojos, às margens dos rios, com o mesmo problema, os montes, invadidos de espécies forâneas que literalmente esgotam e envenenam a terra, ou manter em pé moinhos, lagares, pressas, que foram construídas pelos nossos antergos. Ruínas que falam, não de quem fomos, mas de quem somos hoje e não permitirmos que a nossa história e cultura esmoreçam a prol dum progresso nocivo e destrutor do espírito humano.




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Castelão censurado ontem e hoje.


Por José Manuel Barbosa

Em 7 de janeiro de 1950  morre Castelão. Faz hoje 63 anos da sua morte.

Finalizada a Guerra de 1936-39, vieram anos de escuridão, tristeza, medo, repressão, falta de liberdade e mesmo de censura política exercida por todo o Estado, incluída a Galiza.

Perante a morte de Castelão, o dia 7, a censura do regime franquista em Espanha fez com que os jornais recebessem a seguinte consigna enviada pela "Dirección General de Prensa" a todos os jornais espanhóis o dia 8 de janeiro, uma vez que aconteceu o óbito do galeguista:



"Habiendo fallecido en Buenos Aires el político republicano y separatista gallego Alfonso Rodríguez Castelao se advierte lo siguiente:


La noticia de su muerte se dará en páginas interiores y a una columna.


Caso de insertar fotografía, esta no deberá ser de ningún acto político.


Se elogiarán únicamente del fallecido sus características de humorista, literato y caricaturista.


Se podrá destacar su personalidad política, siempre y cuando se mencione que aquella fue errada y que se espera de la misericordia de Dios el perdón de sus pecados.


De su actividad literaria y artística no se hará mención alguna del libro “Sempre en Galiza” ni de los álbumes de dibujos de la guerra civil.


Cualquier omisión de estas instrucciones dará lugar al correspondiente expediente.".


A dia de hoje, os herdeiros dos que deram esta ordem entregam cada ano as Medalhas de Galiza com o nome de Castelão
Não há muito que acrescentar, só que na Galiza de hoje achamos em falta uma figura da inteligência e da talha política do rianjeiro. Se ele estivesse presente a dia de hoje, a Galiza seria mais Galiza e seria menos dependente das linhas diretrizes absurdas, inadequadas e agressivas que desde Madrid se indicam e se executam em detrimento do nosso País. 



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