terça-feira, 17 de maio de 2016

Assim se escreve a História


Por José Manuel Barbosa


O paradigma oficial recolhe a etimologia do Rio Gállego como proveniente de Flumem Gallicum, quer dizer, literalmente “Rio Gaulês”, quer dizer, proveniente da Gália. Isto é porque nasce nos Pirenéus, na mesma raia entre Aragão e a Gascunha, embora na vertente espanhola do monte “Portalet dera Nieu” em original aragonês, ou “Col d'Aneu”.
Há outra teoria que defende a origem do seu nome em que era fronteira de territórios entre as línguas célticas com línguas ibéricas hispânicas.


Se repararmos no assunto, veremos que em aragonês originário, o nome do rio é “Galligo”, já não palavra esdrúxula, mas grave, reafirmada na documentação medieval onde aparece documentado como “Galleco”. A nós ocorre-se-nos que mesmo poderia ser fronteira entre a Yilliqiya e a Espanha muçulmana, sobre tudo tendo em conta o que nos comenta Ahmad Ibn Muhammad Al-Razi na sua Ajbār mulūk Al-Andalus mais conhecida com o nome de "Crónica do Mouro Rasis". Fala-nos no seu parágrafo 18 sobre o facto de o "Rio Caliton" -nome com que os andaluzis conheciam o rio do que estamos a falar-, de regar muitas hortas em Galiza. Daí o nome de "Gállego/Galligo/Galleco". 
A algum tradutor do árabe, como Pascual de Gayangos soa-lhe impossível que o Al-Razi relacione o rio com Galiza, por isso censura a palavra "Galicia" nos seus comentários a pé de página que fez a respeito do trabalho realizado para o seu ingresso na Academia da História em 1850 intitulado "Memoria sobre la autenticidad de la crónica denominada del moro Rasis". O trabalho fez-se a partir da tradução castelhana que Ambrósio de Morales no século XV fez partindo do português. Esta obra em português à sua vez, foi uma tradução de Gil Peres feita por ordem de Dom Dinis de Portugal e que traduziu do árabe no século XIV.
O texto de Ambrosio de Morales que Gayangos apresenta e ao que nos estamos a referir está assim:


18. (…) Et há y un rio com que riegan muchas huertas en Galicia que há nombre Galiton (2), et es de Tierra de Zaragoza. 

E nas notas ao pé de página na obra de Gayangos diz-se-nos:

 (2). Em Mor. “Et há y un rio com que riegan muchas huertas en Galicia que há nombre Galiton, et es de Tierra de Zaragoza”. Lo cual no forma sentido. Galiton parece ser el Gállego, rio que desemboca en el Ebro, no lejos de Zaragoza. Esta cláusula, pues, debiera leerse de este modo: “ Et há y un rio com que riegan muchas huertas que há nombre Galiton, et es de Tierra de Zaragoza”

A supressão da palavra ”Galicia” no comentário a pé de página é uma prova de como é que se escreve a História em geral e da Galiza em particular. O texto, podemos dizer que está censurado ou se somos mais moderados, intervindo, numa tradução já por si próprio manipulada desde o seu original.

Supomos que a razão pela qual o autor omite e censura o topónimo “Galicia” é para que um leitor do século XIX compreenda que um rio que nasce e morre no Sistema Ibérico não pode ser um rio galego ou talvez, melhor exprimido, da Galiza, porque “Gállego” já é por direito onomástico. O escândalo seria grande denominar de "gállego", "gallego" ou algo similar a um rio afastado mais de 700 km da pequena Galiza. Não seria assim o mesmo se qualquer elemento castelhano se reconhecesse a milhares de quilómetros de Castela... Mesmo com isto quero lembrar a definição que Laín Entralgo no seu "A que llamamos España" faz da Andaluzia como "Castilla la Novisima"... Aqui não há exagero.
A falta de cuidado dos historiadores, dos "espertos" e implicados em reconstruir o passado faz com que a reconstrução da realidade passada se faça mais difícil por causa da "inocência" de ilustrados tão dignos, do seu compreensível desconhecimento dum passado que teoricamente querem desvendar mas em alguns casos, como o de Ximenes de Rada, Lucas de Tui ou o Bispo Pelayo de Ovedo, autêntico interesse espúrio e malícia.
O conhecimento do que era a Galiza está obstaculizado por esses elementos e assim andamos a reconstrui-lo como podemos apesar da não menos maliciosa oposição dos que vem normal que o seu mundo seja universal mas anormal que o dos demais seja não menos grande.
Isso deve mudar.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Manias anti-galegas, falta de inteligência e pailanismo.



 Por José Manuel Barbosa

A Teima de alguns contra a Galiza e contra todo aquilo que reafirme a sua identidade chega a um ponto de deturpação importante da realidade, auto-repressão da inteligência e de escorço psicológico traduzido em mania irracional.

Isso é o que deduzo das manifestações deste senhor:

Ele fala de...
1- Non mesturar política e deporte....?

- Quem conheça o livro de José António Jauregui "Las Reglas del Juego" que eu li com muito poucos anos (talvez 18 ou 19) poderá ver que o desporto não é nem mais nem menos que uma forma "civilizada" de transcender a política e a territorialidade própria do animal carnívoro por adopção que somos desde os primeiros antepassados pré-históricos. Talvez o individuo este do Pepé queira negar-nos a nossa genética? Talvez queira reprimir a nossa necessidade de reivindicar a nossa condição humana? Talvez o homem não lê ou tem carências culturais importantes?


2- Desexar unha selección galega suprimindo a española... ?

- Qual é o problema? É pecado? É delito? Não se passaria nada... Há nações sem Estado que a têm (Escócia, Gales, Faeroe...) e isso não implicaria necessariamente deixar de ser espanhóis.
Não é esta manifestação a dum nacionalista convencido que manifesta o seu desejo de mijar nas pedras e marcar território?


3- Galiza está mal e é pecaminoso... Há que dizer "Galicia".

- Não foi o Pepé quem defende a atual norma RAG onde se diz que a forma Galiza é legítima? Qual o problema da opção? É um filho de Torquemada?

4- "Non cómpre ser tacaño nin ocultar as ideas"

- Da mesma forma que as oculta ele dizendo-se democrata e negando a opção da seleção galega? "Galiza" é anátema? Demonizando a opção de querer suprimir a seleção espanhola pela galega? Esse partido diz-se liberal-conservador? Nem é liberal (laissez faire, laissez passer) nem é conservador... porque não quer conservar a identidade da Galiza...

5- Exaltación nacionalista---?

- Exaltação nacionalista como a da "roja"? Que nem original é o nome esse de a "roja", pois já o Chile denominava assim à sua seleção nos anos 70

6- Todas as crónicas" xornalísticas, se convertera o último partido da Irmandiña, tamén en Riazor en 2008.

- Bom, eles ocupam os informativos de todas as TVs sobre as que têm poder em exaltar os seu valores de pureza e honestidade.

7- O objetivo "non de mellorar do deporte senón político"

- Alguém acredita que uma seleção nacional não melhora a qualidade duma equipa? Jogar com seleções de outros países talvez rebaixe a categoria duma equipa? Que aconteceria se qualquer seleção das grandes deixasse as competições internacionais? Seria melhor e mais competitiva?

8- aludiu a sentenzas do Tribunal Constitucional que limitan a oficialidade dos combinados deportivos non estatais e asegurou que "o límite" para exercer o dereito á competición "é o autonómico. Se se excede está o Estado", dixo, tras engadir que "a unidade é a mellor vantaxe competitiva que España pode representar".

- Qual é o medo? Porque aqui está-se a manifestar um medo.... que não é mesmo desportivo... Isto não é priorizar o político sobre o desportivo?

9- Tendo em conta que mesmo há pessoas dentro do Pepé que não sentem como negativo o facto de jogar a seleção galega, acho que este senhor manifesta complexos e medos que nada achegam a uma pessoa teoricamente comprometida com a administração pública.


10- Artigo relacionado: AQUI

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Relatório das V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas de Pitoes


O autor do relatório ao lado do Poeta Agostinho Magalhães, autor da letra da canção "Vals Galaico" interpretada por Carmen Penim com música de Maurizzio Polsinelli (2naFronteira).

 Por José Manuel Barbosa

Os passados dias 2 e 3 de abril, decorreram na vila de Pitões das Júnias (Montalegre-Portugal) as V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas com ampla participação de público apesar da adversa climatologia.
Uma representação das entidades organizadoras abriram o evento por volta das 10:00 horas da manha para dar passagem a dous painéis a celebrar durante o sábado no que participaram primeiramente, Marcial Tenreiro, com o tema de etno-arqueologia intitulado “A lança na água e a espada na pedra” no que se falou sobre o costume entre povos célticos e germânicos dos rituais com finalidade jurídica, militar, da posse da terra, de conquista e de entronização aplicados e registados em âmbito galego-português.
A seguir, decorreu a palestra de Marcos Celeiro intitulada “A simbologia da cruz céltica e a sua evolução”. Nela o conferencista deu a conhecer as origens religiosas e o significado da simbologia céltica assim como a apropriação, por parte do cristianismo dessa iconografia adaptada a épocas posteriores. Deu a conhecer aspectos interpretativos da arte céltica e a sua presença no espaço galego-português quer em restos pré-romanos, quer em iconografia medieval, cristã e mesmo atual.
Posteriormente a ambas exposições abriu-se um espaço de meia-hora para debate no que uma importante parte do público participou com interessantes perguntas sobre o tema.
O painel foi apresentado pela Professora Doutora Maria Dovigo moderando o debate e os tempos das intervenções, finalizadas as quais, tanto público como conferencistas participaram de uma comida no restaurante pitonense “A Casa do Preto”.
O segundo painel, da tarde do sábado foi igualmente apresentado por Maria Dovigo. Contou com a excepcional presença do Professor Doutor FrancescoBenozzo, da Universidade de Bologna foi candidato a Prémio Nobel de Literatura e integrante do grupo de investigação científica “Continuitas”  que juntamente com Mário Alinei elaboraram o novo paradigma da “Teoria da Continuidade Paleolítica” que a dia de hoje ocupa a investigação de várias universidades europeias de prestígio e que situa a etno-génese dos celtas no ocidente e norte da península ibérica. O Professor Benozzo achegou informação sobre a possível relação entre o topónimo “Galiza”, e o seu etnónimo com o vínculo às pedras e ao megalitismo fazendo relacionar este último ao espaço de ocupação dos celtas em épocas pré e proto-históricas, épocas às que devemos ir para visualizarmos o contexto da sua etno-génese.
Posteriormente, o debate, muito animado e especialmente enriquecedor ofereceu mais elementos interessantes sempre dentro do contexto de uma Galiza e um Portugal centrais dentro da celticidade atlântica embora as circunstâncias históricas tenham feito desse centro originário uma periferia que assinalou como vantagem para a abordagem do tema da identidade longe de ostentações etno-centricas.
Por volta das 18:30 e depois da atividade científica veio a parte artística da mão do duo 2naFronteira que interpretaram várias canções do seu repertório com a novidade do tema intitulado “Vals Galaico” com letra do poeta portuense Agostinho Magalhães com música de Maurizzio Polsinelli e interpretação de galega originária do Couto Misto CarmenPenim.
Chegada a noite celebrou-se mais uma ceia-convívio ao lado da lareira do restaurante “A Casa do Preto” . Depois da refeição, os Gaiteiros de Pitões e as leituras de contos populares da região, dentro da sala de conferências da Junta de Freguesia encerraram a sessão do sábado.
O domingo amanheceu com uma formosa nevada na montanha geresiana que a imediata saída do morno sol desfez. Com esse lindo contexto estético abriu-se a sessão da manha do segundo dia da mão da Presidente da Junta de Freguesia Lúcia Jorge e da académica e Vice-Secretária da AcademiaGalega da Língua Portuguesa Concha Rousia.
Abriu o dia a palestra do Professor Graciano Barros tocando o tema da “Ourivesaria e arte célticas no Século XXI no Noroeste Peninsular”. A exposição cheia de imagens de peças ornamentais de épocas diferentes, relacionou as técnicas de elaboração pré-romanas com as atuais, ligando temáticas, materiais e motivos artísticos do passado com o presente.
A seguir, o Professor Doutor em Direito Sr. José Domingues falou sobre “A raiz céltica dos Ordálios medievais” dando um ponto de vista desde o conhecimento da legalidade portuguesa e a sua evolução através do tempo. Igualmente a anteriores painéis, o debate ajudou a ampliar informação, a relacionar novos elementos não tratados anteriormente e ajudou ao surgimento de ideias no que diz respeita da investigação de ideias relacionadas com a investigação sobre o tema do ordenamento jurídico celta e a sua evolução e deriva nos direitos galego e português.
Uma vez acabadas as exposições, levou-se a cabo a elaboração de umas conclusões que acompanharão as atas que desejamos ver publicadas proximamente.
O ato de encerramento veio uma vez expostas publicamente as propostas de todos os participantes no evento e recolhidas pelas diretoras dos três paineis com o fim de serem incluídas nas atas uma vez publicadas. Acabado o ato, celebrou-se uma comida no restaurante “A Casa do Preto”.
Por motivos climatológicos a visita ao Eco-Museu, ao Mosteiro e à Cascata foram finalmente suspendidos. A neve e o frio não permitiram fazer a excursão programada, tornando perigoso o trânsito pelos arredores da vila quer a pé, quer de carro.
O resultado final, para nós, foi muito satisfatório, tanto do ponto de vista da qualidade das palestras, como apesar do clima de assistência do público. Aguardamos ao ano próximo para organizar uma nova edição das Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, desta vez as VI, que já estão na nossa mente. As entidades organizadoras, aguardamos mais ajudas e menos obstáculos para fazer deste tema uma grande oportunidade tanto para galegos como para portugueses.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Acrescimo à proposta de supressão das Deputações provinciais.


Por José Manuel Barbosa 
A provincialização é uma velha ferida que a Galiza mantém viva desde o 30 de Novembro de 1833, dia em que o velho Reino da Galiza na altura com 1422 anos de História sobre as suas costas deixou de existir. O provincialismo, primeiro movimento galeguista do século XIX, tentou adaptar a legalidade vigente ao quadro político surgido da chegada ao trono da Rainha Isabel II de Bourbon (1), propondo o reconhecimento da Galiza como um território uni-provincial, longe da artificial e artificiosa divisão em quatro absurdas províncias a partir das quais o nome do País ficou banido da nomenclatura administrativa. 
Essas quatro províncias, durante estes últimos 183 anos serviram para manter uma classe dirigente anti-galega, localista, servil a Madrid, agressiva contra os interesses do País e subsumida na corrução, tolerada pelo alto poder político do Estado como pagamento aos serviços emprestados. É o historicamente denominado de "Caciquismo" que o galeguismo político leva criticado desde os inícios.
Nas notícias destes dias e perante a possibilidade e probabilidade de uma mudança política que incluiria uma modificação da legalidade constitucional e com ela uma posta em questão e talvez supressão das Deputações provinciais, organismos de governo das províncias espanholas, pensamos que recolher a velha reivindicação da província única galega como uma possibilidade assuntível pelo galeguismo institucional deste momento, com visos de poder levar-se a cabo se este galeguismo tomar consciência real da sua capacidade para atingir o objetivo. 
Certo que temos muitas dúvidas deste "galeguismo" que nos tem defraudado tanto e que demonstra dia após dia a sua debilidade, tanto ideológica quanto prática e estratégica... mas por propor que não fique.
O possível novo Governo espanhol teria como provável presidente ao Secretário Geral do Partido Socialista que nas negociações destes últimos meses tem pactuado com o grupo político de "Ciudadanos" com quem têm elaborado um documento programático comum com pontos a levar a cabo durante a legislatura no caso de se materializar o apoio do Congresso. O partido político de "Podemos" dentro do qual esta o grupo galego de nome em castelhano "En Marea" (2) é o (sub)grupo galego dentro do parlamento que diz defender interesses galegos, por isso parece-nos oportuno fornecermos informação e propostas que poderiam ir adiante se houver vontade, consciência e o suficiente poder como para influir no do seu grupo parlamentar.
É assim:
Isto foi o que achamos no texto do pacto entre PSOE e C's:
"Supresión de las Diputaciones Provinciales de régimen común y creación de Consejos Provinciales de Alcaldes para la atención al funcionamiento y la prestación de servicios de los municipios de menos de 20.000 habitantes de la provincia respectiva.


O galeguismo que tem representação parlamentar com qualquer capacidade de decisão, quer pela banda do BNG, quer pela banda de "En Marea" ainda poderiam fazer valer a ideia do velho galeguismo de conformar Galiza, enquanto estiver dentro da Espanha, como uma província única. Se isso fosse assim, as deputações provinciais tal como se conhecem hoje ficariam na História e dariam cabo a uma etapa obscura da organização territorial do nosso País. As competências desses "Consejos Proviciales de Alcaldes" saídos deste reforma, finalmente seriam para o Governo Galego da Junta da Galiza. Posteriormente a própria Junta poderia implementar uma divisão territorial interior fazendo cumprir o artigo 40.1 (reconhecimento da Comarca como entidade local com Entidade Jurídica própria) e 40.3 (reconhecimento da Freguesia ou Paróquia Rural com entidade jurídica própria) derrogando a legalidade atual que as proíbe contradizendo o Estatuto da Galiza.
Valorizem se é que merece a pena tomá-lo em conta agora que há vontade de modificar a legalidade vigente por parte dos partidos que vão conformar o novo governo espanhol. Chamo com isso aos responsáveis para que valorizem uma mudança pelo estilo, de importância vital para o País, para evitar o despovoamento da Galiza e para revitalizar o corpo demográfico, geográfico e mesmo económico dum País em perpétua falência desde já há tempo demais.... Ou será que as medidas de (re)construção nacional vão ficar adiadas até que sejamos uma curiosidade historiográfica do futuro?
 * * *
1-  Isabel de Bourbon foi na realidade, a  primeira rainha Isabel da Espanha, Isabel I, portanto, pois Isabel de Trastâmara, conhecida como a Rainha Católica a incorretamente reconhecida como Isabel I da Espanha não era da Espanha, mas de Castela, de Leão, de Granada, de Toledo, de Galiza, de Sevilha,  de Córdova, de Múrcia, de Jaém, dos Algarves, de Algezira, de Gibraltar, das Ilhas de Canárias, Senhora de Biscaia, de Molina. Aliás era Rainha consorte de Aragão, de Sicília, de Valência, de Malhorcas, de Sardenha, de Córsega, Condessa de Barcelona, Duquesa de Atenas e de Neopátria, Condessa do Rossilhão é de Cerdanha, Marquesa de Oristà e de Gociano...é e portanto não podia ser Isabel I da Espanha) 
2-  O nome de "En Marea" está em castelhano mas não temos muito mais a dizer do "Bloque" que também tem o seu nome em castelhano. Na nossa língua seria "Bloco"... U-lo galeguismo linguístico? Já sabemos: não é prioritário nem importante. "Como em Irlanda, como em irlanda...."

quinta-feira, 17 de março de 2016

Programa das V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas de Pitões





Dia 2 de Abril sábado: (Hora portuguesa)
    1º Painel: Modera: Maria Dovigo

  • 10:00: Apresentação em Pitões das V Jornadas das Letras galego-portuguesas.
  • 10:30: 1º Palestra: Marcial Tenreiro: A lança na água e a espada na pedra. Rito e Território entre germanos e celtas
  • 11:15: 2ª Palestra: Marcos Celeiro: A Simbologia da cruz céltica e a sua evolução.
  • 12:00: Debate
  • 14:00: Comida
     2º Painel: Modera: Maria Dovigo
     
  • 16:30: 3ª Palestra: Francesco Benozzo (Trad. Joam Paredes): Uma paisagem Atlântica pré-histórica. Etno-génese e etno-filologia paleio-mesolítica das tradições galego-portuguesas.
  • 17:15: Debate
  • 18:30: Actuação de 2naFronteira e convidados.
  • 20:00: Ceia-Churrascada popular.
  • 22:00: Programa Erasmus: “Adventure of Reading”, Folião e Gaiteiros de Pitões
Dia 3 de Abril Domingo (Hora portuguesa)
    3º Painel: Modera: Lúcia Jorge (Presidente da Junta de Freguesia)

  • 10:00: 4ª Palestra: Graciano Barros: Ourivesaria e arte céltica no S. XXI no NW peninsular.
  • 10:45: 5ª Palestra: José Domingues. A raiz celta dos Ordálios medievais.
  • 11:15: Debate
  • 12:00: Conclusões (Maria Dovigo e Lúcia Jorge)
  • 13:30: Encerramento das Jornadas
  • 14:00: Comida
  • 16:00 Visita ao Eco-Museu
  • 16:45 Visita ao Mosteiro de Pitões.
  • 17:30 Visita à Cascata

domingo, 13 de março de 2016

Entrevista a Francesco Benozzo que vai estar connosco nas V Jornadas.





[Versão galego-português – English version below]
Entrevista com o Prof. Francesco Benozzo:
A Galiza e o Norte de Portugal são a origem da celticidade europeia”
O Professor Francesco Benozzo (Módena, Itália, 1969) é um dos grandes nomes por trás do Paradigma de Continuidade Paleolítica, afirmando que existe uma continuidade clara nas origens e desenvolvimento dos povos europeus, origens que podem ser colocadas ainda mais atrás no tempo do que normalmente é considerado. Esta mudança no compreensão da arqueologia, pré-história e linguística europeia é de enorme relevância para a Galiza e (Norte de) Portugal, pois situa este território no centro da génese da chamada Cultura Celta, entre outros aspectos.
Com dois doutoramentos em linguística e filologia pelas universidades da Bolonha (Itália) e Aberystwyth (País de Gales), na actualidade lecciona na nomeada universidade italiana. Contudo, Francesco Benozzo não está limitado pelo formalismo que normalmente acompanha a vida académica. Ele também é um reconhecido poeta e harpista, com um grande número de obra e música editada, o que fez com que o seu nome fora proposto como Prémio Nobel de Literatura.
Teremos a fortuna de recebê-lo este próximo Abril (dias 2 e 3) na quinta edição das Jornadas das Letras Galego-Portuguesas (Pitões das Júnias, Montalegre, na “raia” galego-portuguesa), onde debaterá sobre estes e outros temas, como vai indicado na entrevista a seguir.
- Qual foi a primeira coisa que chamou a sua atenção sobre a Galiza e Norte de Portugal? Foi algo puramente académico ou houve algum outro factor motivando que se centrara em nós?
Desde que era criança o meu instinto sugeria que o significado original das coisas reside nas áreas e localizações periféricas. Com isto não quero dizer “periférico” simplesmente num sentido geográfico mas, principalmente, num sentido poético. Esta é uma das razões pelas quais fui viver ao País de Gales (e não Inglaterra) durante uns anos, e também a razão pela qual deixei a minha cidade natal de Módena, no norte da Itália, e decidi viver nas montanhas. Também acredito que, como académicos, devemos estudar e concentrarmos-nos em tradições “periféricas”: tradições populares, dialectos, textos orais, culturas das pessoas marginais e assim por diante, porque o que agora é percebido como “marginal” e “periférico” foi , em muitos casos, o centro original do que na actualidade percebemos como centro.
A Galiza e o Norte de Portugal sempre foram parte desta minha “topografia poética” e da minha concepção poética, começando pelas suas lendas e tradições e grandes poetas como os trovadores medievais, até mesmo Rosalia de Castro ou Eduardo Pondal.
- Considera que o noroeste ibérico pode ser considerado a origem da “celticidade” na Península desde um ponte de vista linguístico?
Não só. Penso que pode ser considerado a origem da celticidade em toda a Europa.
- Qual é a sua opinião sobre a relação entre o mundo céltico e Tartesso, como postula o Prof. Koch?
John [Koch] tem produzido um trabalho extraordinário sobre isso na última década. Não vejo quaisquer razões linguísticas que puderam negar essa conexão postulada. O problema com a teoria de Koch é que auto-limita-se à Idade do Bronze Tardio, o qual contradiz a sua ideia de “Celtas do Oeste”. Em vez disso, se falarmos de etnogénese, devemos ir além das restrições das fontes escritas e termos a habilidade para conectarmos-las com outro tipo de fontes como assim as lendas, tradições, genética, etno-textos ou léxico dialectal. Em consequência, poderemos falar de “Celtas Paleolíticos” nesta área. Dentro deste quadro, Tartesso pode ser visto como uma das muitas relíquias escritas “recentes” de um fenómeno muito mais antigo.
- Por que acha que há este esforço renovado em algumas partes da Europa para desacreditar o termo "celta", ou mesmo até a existência de uma cultura celta?
Por três razões principais. Em primeiro lugar, sendo eu mesmo um anarquista, diria que há uma tendência inata por parte dos que estão no poder de excluírem a diversidade e, acima de tudo, “centralizarem” qualquer tipo de estratégia ligada ao seu poder. Assim, como sabemos, desde a sua proto-história os celtas sempre foram os “perdedores” em termos geopolíticos e foram excluídos logo de qualquer jogo de poder das elites europeias.
Em segundo lugar, podemos encontrar um desconforto geral com a celticidade se a compararmos às culturas oficiais padronizadas que, de certa forma, governam o mundo. Noutras palavras, admitir que a inquietante, multiforme, colorida, rural, estratificada e arcaica cultura celta possa ser parte de nós é, em muitos casos, difícil de aceitar para as pessoas criadas com a certeza e o mito conformista da estabilidade e um conhecimento superficial da história europeia.
Por último, e em relação às razões mencionadas acima, a cultura celta representa, em termos psicanalíticos, o subconsciente da Europa, o que provoca uma contínua tentativa para reprimi-lo e suprimi-lo.
- Como reconhecido investigador, mas também como poeta e músico, há algum tipo de conexão entre o seu trabalho académico e o seu trabalho artístico? Ou tenta manter ambos mundos separados?
Espero que estes três aspectos convivam, como acontece com diferentes elementos duma mesma paisagem. A minha expectativa é provavelmente parecer como um músico que estuda filologia, um poeta que toca harpa e um filólogo que compõe poemas.
- Depois de todas as suas viagens e investigações, como resumiria o “carácter céltico”? Por exemplo, quando visita a Galiza-Norte de Portugual, que sente em conexão com outros territórios célticos?
Primeiro de tudo, há um sentimento especial com o mar, que é diferente do que tenho observado noutras comunidades, tais como as das Ilhas Féroe ou do Mediterrâneo. Nas terras celtas este sentimento está ligado a uma atitude "lendária" e melancólica na percepção da paisagem marinha, e na capacidade de conectar lugares com histórias.
Há também uma clara, inata, não previsível, percepção musical do mundo. Além disso, existe a consciência do valor arcaico e civilizador de coisas que foram esquecidas noutros lugares, como partilhar umas bebidas, alimentos e histórias.
Nas V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, o Prof. Benozzo participará com a palestra intitulada “Uma paisagem atlântica pré-histórica. Etnogénese e etno-filologia paleo-mesolítica das tradições galegas e portuguesas”.
O evento é aberto e de assistência livre e gratuita, e a intervenção do Prof. Benozzo será em inglês com tradução ao português.


[English version]

Interview with Prof. Francesco Benozzo:
Galicia and North Portugal are the origin of European Celticity
Professor Francesco Benozzo (Modena, Italy, 1969) is one of the big names behind the Paleolithic Continuity Paradigm, claiming that the there is a clear continuity in the origins and development of European peoples, origins which may also be placed further back in time to what it is commonly considered. This shift in the understanding of European archaeology, prehistory and linguistics is of the utmost relevance for Galicia and (Northern) Portugal, as it sets this territory at the centre of the genesis of the so-called Celtic Culture, among other aspects.
With two PhDs in linguistics and philology by the universities of Bologna (Italy) and Aberystwyth (Wales), he currently lectures at the former Italian university. However, Francesco Benozzo is not limited by the formalism that usually accompanies academic life. He is also an acclaimed poet and harpist, with a large number of published works and music, leading to his name being proposed for a Nobel Prize in Literature.
We will be most fortunate to welcome him this coming April (2-3) in the fifth edition of the Jornadas das Letras Galego-Portuguesas (Pitões das Júnias, Montalegre, right at the Galician-Portuguese border), where he will be discussing these and many other topics, as outlined in the following interview.
- What was the first thing that got your attention about Galicia and North Portugal? Was it something purely academic or was there any other factor that made you focus on us?
Since I was a child my instinct suggested that the original meaning of things lies in peripheral areas and locations. I don’t just mean “peripheral” in a geographical sense but, mostly, in a poetic one. This is one of the reasons why I went to live to Wales (and not England) for a few years, and it is also the reason why I left my hometown of Modena, in Northern Italy, and decided to live in the mountains. I also believe that, as academics, we must study and concentrate on “peripheral” traditions: folk traditions, dialects, oral texts, cultures of the marginal people and so on, because what is now perceived as “marginal” and “peripheral” was, in many cases, the original centre of what we currently perceive as being at the centre.
Galicia and North Portugal have always been part of this “poetic topography” of mine and of my poetic conception, starting from their legends and traditions, and from great poets such as the medieval troubadours, to even Rosalia de Castro or Eduardo Pondal.
- Do you think that the Iberian north-west can be considered the origin of "Celticity" in the Peninsula from a linguistic point of view?
Not only. I think that it can be considered the origin of Celticity in all of Europe.
- What is your opinion on the relationship between the Celtic world and Tartessos, as Prof. Koch postulates?
John [Koch] has produced an extraordinary work in the last decade about that. I don’t see any linguistic reasons that could deny this postulated connection. The problem with Koch’s theory is that it limits itself to the late Bronze Age, which comes in contradiction with his idea of “Celts from the West”. If we speak of ethnogenesis instead, we must go beyond the restrictions of written sources and have the ability to connect them with other sorts of sources such as legends, traditions, genetics, ethnotexts or dialectal lexicon. Consequently, we'll be able to speak of “Paleolithic Celts” for this area. Within this framework, Tartessos can be seen as one of the many “recent” written relicts of a much older situation.
- Why do you think there is this renewed effort in some parts of Europe to debunk the term "Celtic", or even the existence of a Celtic culture?
For three main reasons. Firstly, being myself an anarchist, I would say that there is an innate tendency of those in power to exclude diversity and, above all, to “centralise” any kind of strategy connected to their power. Thus, as we know, since their proto-history the Celts have always been the “losers” in geopolitical terms, and have then been excluded from any power play of the European elites.
Secondly, we can find a general discomfort with Celticity if compared to the official and standardised cultures which, in a way, rule the world. In other words, to admit that the many-sided, coloured, rural, disquieting, stratified, archaic Celtic culture can be part of us is, in many cases, difficult to accept for people raised with the certainty and the conformist myth of stability and with a superficial knowledge of European history.
Lastly, and in connection to the above-mentioned reasons, Celtic culture represents, in psychoanalytic terms, the subconscious of Europe, which causes a continuous attempt to repress and suppress it.
- As an accomplished researcher, but also poet and musician, is there any connection between your academic work and your artistic work? Or do you keep both worlds separate?
I hope that these three aspects live together, as it happens with different elements of a same landscape. My expectation is probably to look like a musician who studies philology, a poet who plays the harp, and a philologist who composes poems.
- After all your travels and research, how would you summarise the "Celtic character"? For example, when you come to Galicia-North Portugal, what do you feel in connection to other Celtic territories?
First of all, there is a special feeling with the sea, which is different from the one I have observed in other communities such as the Faroese or Mediterranean ones. In Celtic lands this feeling is linked to a “legendary” and melancholic attitude in perceiving the landscape and seascape, and the capacity to connect places with stories. There is also a clear, innate, not predictable, musical perception of the world. Furthermore, there is the consciousness of the archaic and civilising value of things that have been forgotten elsewhere, such as the sharing of drinks, food and stories.

At the V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, Prof. Benozzo will give a presentation entitled “A prehistoric Atlantic landscape. Paleo-mesolithic ethnogenesis and ethnophilology of the Galician and Portuguese traditions”.
The event is free and open to the public. Prof. Benozzo's talk with be in English with translation into Portuguese.


quarta-feira, 2 de março de 2016

V Jornadas Galego-Portuguesas em Pitões das Júnias.


Pela Equipa do DTS:
Foto: Paulo Ferreira
Cartaz: Noa Rios e José Goris.

Mais um ano, aqui estamos para celebrarmos uma nova edição das Jornadas  Galego-Portuguesas de Pitões das Júnias. Cada ano vamos consolidando o nosso trabalho e a qualidade das nossas Jornadas ainda com tremendos obstáculos gerados por múltiplas circunstâncias. 

O programa será publico em poucos dias, assim como a lista de apoiantes.
Neste cartaz só fazemos referência à celebração do já tradicional evento nas datas acima indicadas, adiantadas este ano por razões alheias a nós e para ir preparando o público para a festa e a cultura.

Haverá palestras, música, festa da maneira em como enxergamos galegos e portugueses e aguardamos dar com o ponto de união de ambos povos vizinhos.
Ide preparando esse fim de semana para nos vermos, para desfrutarmos e para nos sentirmos mais próximos os uns aos outros.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Entrevista ao Professor Higino Martins



Equipa do DTS: José Goris e José Manuel Barbosa

O Professor Higino Martins Esteves esteve connosco entre o 5 e o 21 de outubro de 2015 apresentando o seu livro "Etimologias escuras ou esconsas".


Tivemos a oportunidade de partilhar com ele estes dias de atendimento à sua pessoa e aproveitamos para fazermos-lhe uma entrevista para o DTS.
A entrevista foi feita, como sempre, com a colaboração técnica do nosso amigo e colaborador José Goris. Eis o nosso trabalho:




Outras obras do professor Martins:











sábado, 6 de fevereiro de 2016

3ª GUERRA MUNDIAL OU ACORDO GLOBAL?




Por Artur Alonso Novelhe:

Como bem vínhamos observando, em contradição com aqueles que agoiram sempre a pronta queda do Império Ocidental, Ocidente que segue a controlar os três tabuleiros principais, onde se joga a partida pela supremacia (a saber: Militar, Econômico e Social – Cultural), comanda e toma a iniciativa, em todos os campos de jogo. Depois de um pequeno período em que parecia a China poder desafiar o gigante Norte-Americano, dentro do tabuleiro económico, de novo o comando imperial anglo-saxão, volta reconduzir a situação em seu favor...

A Rússia, que muitos acreditam possa desafiar o poder militar do Ocidente, está claramente à defensiva em este jogo, a pesar de seus esforços bem encaminhados tanto na Crimeia, como na Ucrânia ou na Síria (exercícios combinados de bom fazer militar, diplomático e político)... Vimos advertido duma prolongada guerra encoberta entre Emergentes (com direta implicação do binómio Rússia – China) e Ocidente, que a cada dia se torna mais visível. Realmente o confronto direto é sem duvida com China – única potencia capaz de desafiar economicamente Ocidente. Mas a Rússia, ao ser a única potencia com capacidade real de defrontar Ocidente – alem de sua situação geo-estratégica e seu gigantesco tamanho, bem como suas riquezas energéticas – deve ser dominada; pois controlando Rússia, não é possível grande mobilidade ao expansionismo chinês... A tentativa de deteriorar a economia russa através da combinação de sanções exteriores e declínio dos preços do petróleo; obrigando, paulatinamente, a um aumento do défice orçamental e do défice da balança de pagamentos... 

Não tem funcionado de tudo, mas tem minorado consideravelmente as capacidades da economia russa e sua angariação de fundos de reserva. As sanções exteriores, pela contra não tem sido muito haveis a hora de aumentar a pressão sobre a sua económica, na tentativa de obrigar a seu governo a privatizar em favor de investidores internacionais. Na Rússia atual, desenvolve-se um poder bicéfalo, onde neoliberais mais achegados ao Primeiro Ministro Medvedev e os nacionalistas mais estatistas mais achegados ao Presidente Putin, convivem em relativa harmonia. A contração da economia não tem ajudado a criar um clima favorável a privatizações, dado a baixa cotação agora dos ativos russos. O qual impede um plano que seria de interesse do ocidente, de transformar a economia russa numa economia rendista, que num prazo mais alargado – vencera as leis aprovadas por Putin, que impedem o acesso maciço do capital estrangeiro a Federação – permitindo na pratica o domínio exterior, por meio da retirada continua de lucros em benefícios de proprietários estrangeiros (com a desculpa duma maior industrialização)... Algo que de momento o governo russo tem evitado. Mas uma tentativa de privatização, embora seja com intuito de voltar os capitais dos oligarcas russos no estrangeiro, poderia abrir essa porta, se o poder russo não manter um vigoroso tecido publico industrial, em contrapeso do privatizado... 

E este jogo ainda está andamento, variante que faz possíveis acordos mais globais entre a Rússia e os EUA– que mesmo possam concluir no reverter das sanções a Moscovo. A sua vez Ocidente tem melhorado suas posições por todo o planeta, com a criação na Ásia, de acordos de Livre Comercio que tem debilitado a posição anterior dominante da China, regredindo para uma posição de participante ativo e sócio muito importante. A criação dum banco de investimento Emergente, e alça da Bolsa de Valores de Xangai – obrigava a um movimento rápido do Ocidente, na corrida pelo poder económico global. Na América do Sul, a tentativa brasileira de criação dum marco geográfico de interação e poder, que possibilitasse uma independência econômica do Continente – por meio de reforçar Mercosul e fundamentar Unasul – tem sido bem contrapesada, com a criação da Aliança do Pacifico, e a queda da presidência da Argentina, com laços muitos fores com Brasília; assim como a grave crise gerada na Venezuela. Brasil tem reagido com habilidade, tacto e sutilidade; mas as pressões dentro da sua própria casa – onde o sector neoliberal, aliado do Ocidente, está a aumentar seu poder, impedem grandes contra-ataques. 

Uma futura Privatização do Banco Central do Brasil – com a subida ao poder de partidos de corte neoliberal, converteria sua economia numa plataforma rendista, onde o poder inversor estrangeiro se faria com o controlo total de seu património, ao privatizar o poder creditício real, comutando para bancos privados (dependentes do poder financeiro ocidental) o planeamento económico, que deveria permanecer na posse do governo, se quisermos seguir avançando na agenda de emancipação continental. África anda está para desenvolver em próxima agenda – ainda que as tensões provocadas no Centro do Continente – os desequilíbrios imensos no Norte (nomeadamente no Magrebe) e a baixa do petróleo, comodities, controlo do monopólio dos diamantes pelas companhias internacionais (a pesar da concorrência chinesa, que tem aberto alternativas novas), não permite ainda criar nem sequer uma ilusão de independência económica, mesmo nem no Sul continental. Lastres como a corrupção, em países dum poder geo-estratégico tão imenso como Sul África, complicam mais a situação, em favor duma agenda de unidade regional (já de por si muito complexa, pela difícil relação da Angola com Pretoria). 

No Oriente Meio surgem as maiores incógnitas. Eis aqui onde o poder Ocidental, tem de evitar ambições de outras potencias regionais, como Rússia e China ou a Índia, dado serem esta região a ponte de transição dos três mercados mais rentáveis no nível global: energia, armas, drogas. Drogas e armas que normalmente vão associadas ao trafico de seres humanos. Segundo um relatório da Oficina de Crime e Droga, da ONU de 2012 – as máfias ilegais (que derivam dos três mercados) movem perto do 1,5% do PIB mundial, afirmando que o 70% destes ingressos são lavados através do sistema financeiro global. Para consolidar o controlo desta região, o poder Norte Americano, tem trabalhado em vários relatórios sobre a necessidade de criação dum novo Oriente alargado – com supremacia relativa sunita, dos aliados do Ocidente. Mas sua implementação tem chocado com os interesses regionais de potencias menores como Turquia, Arábia Saudita, e potencias maiores como a Rússia, que tem intervido militarmente em defesa de seu aliado Bachar Al Assad, com um relativo sucesso. Devido a esta situação tão poliédrica, os Estados Unidos, tem chegado a um acomodo razoável, sobre a situação Síria, dentro dum acordo global mais amplo que inclui ao Irão e Israel. Mas que não deve ter convencido muito aos sauditas e turcos... O Ministro de Assuntos Exteriores da Arábia Saudita, Al-Jubeir, bem de ameaçar a Bashar Al-Assad com uma intervenção militar direta na Síria, em caso este não abandone voluntariamente o poder (que se levaria a cabo desde território turco, onde já estão a ser concentradas tropas)... Turquia pela sua parte, bombardeia posições do exercito sírio, mas sobre tudo enfrenta diretamente às YPG curdas, pois a pesar da aliança curdo – norte-americana, os turcos não se fiam por causa dos estreitos laços entre YPG sírio e o PKK, turco... 

A madeixa enreda-se cada vez mais... E tudo faz pensar que a tentativa de Serguei Lavrov e John Kerry (responsáveis de exteriores dos Estados Unidos e Rússia), de uma cessação de hostilidades, na Síria, pode ficar em águas de bacalhau... Arábia Saudita, que está a ver como na pratica seus aliados rebeldes estão sendo banidos do mapa pelo exercito sírio, graças ao poder da aviação russa, está a ficar muito nervoso, pela possibilidade de ficar fora do grande tabuleiro de xadrez, em que se converteu o Oriente Meio... No entanto o primeiro ministro russo em entrevista ao jornal alemão  “Handelsblatt”, advertiu: “Os norte-americanos e nossos parceiros (referindo-se ironicamente aos árabes) devem pensar bem: querem mesmo guerra permanente?” O problema duma guerra permanente, com implicação direta de protagonistas que antes estavam por trás do cenário – cada um ajudando a seu aliado – é, que nunca se sabe quando o confronto indireto, pode derivar em um confronto direto das potencias implicadas. Sabendo que Turquia pertence a NATO, não da muita confiança que uma frição de exércitos turcos, árabes e russo possa derivar em algo que ninguém, sendo sensato, desejar... Mas o ser humano tem demonstrado – por ativa e passiva – que em situação de medo, custa-lhe muito manter-se saudável mentalmente...
Pelo lado positivo, de momento Washington não se deixa pressionar pela Turquia, para que escolha entre os turcos e os curdos; a pesares de Erdogan ter conseguido excluir as YPG das negociações de Genebra. A nomeação de Brett McGurk, como encarregue de lutar contra o Daesh (Califado Islâmico) pelo presidente Obama é uma boa noticia. O apaziguamento com o Irão, trás a queda de Ahmadinejad e a subida ao poder dum grupo menos anti-ocidental, tem facilitado uma reviravolta na Administração Obama, que agora mesmo tenta deitar fora da agenda o confronto regional xiita – sunita. Mesmo no Iraque, a colaboração dos EUA e os iranianos, fez-se cada vez mais evidente... Esse acomodo também poderia possibilitar uma paz entre as diversas facões curdas, que mesmo ameaçava com a cisão em dous da YPG Síria. Pelo lado negativo, isso alimenta o medo saudita, a ficar marginalizado. Um acordo mais amplo, que incluía Irão, Turquia e Arábia Saudita, baixo supervisão de EUA e Rússia, tem de ser alcançado, para evitar o confronto... Mas ele será possível?
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